Em
Região de Terras de Santa Maria

2026/10/12

Câmara de Oliveira de Azeméis não esclarece por que razão obra de São Roque avançou apesar dos alertas dos próprios técnicos

Oliveira de Azeméis

Município não respondeu a dez perguntas do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA sobre o processo que remonta a 2022. Continua por esclarecer quem autorizou a continuação dos trabalho, e como será resolvida a situação perante a APA.

A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis não respondeu aos pedidos de esclarecimento do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA sobre as circunstâncias em que avançou a construção do pavilhão de São Roque, apesar de os próprios serviços municipais terem identificado, em 2022, a necessidade de consulta à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e de a fiscalização municipal ter detetado a obra em curso quando o processo ainda se encontrava em análise.

O nosso jornal dirigiu dez perguntas à autarquia, procurando esclarecer as decisões tomadas ao longo dos últimos quatro anos, as responsabilidades pela execução da intervenção e as medidas previstas para responder à notificação da APA. Até ao momento, não foi recebida qualquer resposta.

A ausência de esclarecimentos surge depois de esta publicação ter revelado documentação municipal que demonstra que os alertas sobre o processo remontam a março e abril de 2022.

+ Ler artigo: Câmara de Oliveira de Azeméis já sabia desde 2022 que pavilhão de São Roque precisava de parecer da APA, parecer dos técnicos da câmara foi negativo ... mas obra avançou

Câmara sabia da necessidade de consultar a APA

Um parecer técnico municipal, datado de 28 de março de 2022, identificava expressamente a necessidade de pareceres da APA e do Instituto Português do Desporto e Juventude, devido às características da intervenção e à proximidade de uma linha de água.

Menos de um mês depois, os serviços de fiscalização da Câmara encontraram a estrutura metálica do pavilhão já em construção.

No relatório elaborado nessa ocasião, os fiscais registaram que o processo continuava em análise e concluíram que a construção estava a ser executada em desacordo com o procedimento legal aplicável.

A Câmara não informou se a APA foi efetivamente consultada, se existiu alguma decisão que permitisse a continuação dos trabalhos ou que diligências foram desenvolvidas na sequência do relatório dos seus próprios fiscais. Também não esclareceu se considera terem existido falhas de procedimento e se alguma responsabilidade foi apurada.

Quatro anos depois, APA exige regularização

O caso voltou à atualidade depois de uma fiscalização realizada pela APA, em setembro de 2026, ter identificado a necessidade de regularizar administrativamente a ocupação associada ao equipamento desportivo.

A agência notificou o Município para, no prazo de 30 dias úteis, apresentar o pedido de regularização ou, em alternativa, repor as condições anteriores à intervenção.

A APA não determinou a remoção imediata da estrutura, admitindo a possibilidade de regularização.

Contudo, a Câmara também não esclareceu ao REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA qual das soluções pretende seguir, nem se existe algum risco de o equipamento ter de sofrer alterações.

+ Ler artigo: Novo pavilhão de São Roque está em situação irregular e APA dá 30 dias à Câmara para legalizar ocupação... ou repor situação anterior

Dez perguntas continuam sem resposta

Entre as questões enviadas pelo jornal encontram-se algumas essenciais para reconstituir a atuação municipal: quem era responsável por garantir o cumprimento das exigências administrativas, que medidas foram tomadas entre 2022 e 2026 e se existiu alguma autorização, formal ou informal, para a continuação da obra.

O noso jornal questionou ainda a autarquia sobre a eventual existência de falhas no procedimento e sobre o apuramento de responsabilidades.

A documentação já conhecida permite demonstrar que os serviços municipais identificaram a necessidade de consulta à APA e que, posteriormente, a fiscalização encontrou a obra em execução. Não permite, por si só, determinar quem decidiu avançar com os trabalhos ou concluir que existiram responsabilidades individuais.

É precisamente sobre estas matérias que o jornal procurou obter esclarecimentos.  O processo foi igualmente comunicado à Inspeção-Geral de Finanças, que está a apreciar a vertente relacionada com a atividade administrativa de planeamento e gestão urbanística.

O REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA continuará a acompanhar o processo, mantendo a disponibilidade para publicar os esclarecimentos que a Câmara Municipal venha a prestar.

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