2026/10/09
A análise do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA aos contratos públicos mostra que o custo anual da limpeza subiu de 42 mil para 60.670 euros. O executivo admite atrasos na execução e diz que a atual adjudicatária teve de recorrer a outra empresa.
A análise do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA aos contratos públicos celebrados pela União de Freguesias mostra que o custo da limpeza das vias passou de 42 mil euros, em 2025, para 60.670 euros em 2026. Ambos os contratos têm a duração de 12 meses. Mas na Assembleia de Freguesia, o executivo reconheceu que “nem tudo está a correr bem” na execução do atual serviço.
A União das Freguesias de Oliveira de Azeméis, Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madail está a pagar mais 18.670 euros pelo atual contrato relacionado com a limpeza das vias públicas do que pagava no contrato celebrado em 2025.
A comparação feita pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA aos dois contratos públicos mostra uma subida de cerca de 44,5%, apesar de ambos terem sido celebrados por um período de 12 meses.
O aumento de preço surge num momento em que o próprio Executivo admite dificuldades na execução do atual contrato.
"Realmente, nem tudo está a correr bem na questão da empresa a que entregámos o serviço", afirmou Ricardo Gaspar, durante a última Assembleia de Freguesia, em resposta a queixas relacionadas com trabalhos de limpeza e com a demora na recolha dos resíduos resultantes do corte da vegetação.
Em fevereiro de 2025, a União de Freguesias contratou a FLORA CIRCUL, Lda., de Estarreja, para a prestação de serviços relacionados com a limpeza das vias públicas, incluindo a recolha, armazenamento, transporte, valorização e eliminação dos resíduos.
O contrato foi celebrado por 42.000 euros, acrescidos de IVA a 6%, e vigorou durante 12 meses, entre 12 de fevereiro de 2025 e 11 de fevereiro de 2026.
No procedimento seguinte, o serviço foi adjudicado à Espantoso Cenário Paraíso dos Jardins e do Hipismo, Unipessoal, Lda., empresa sediada em Travanca, no concelho de Santa Maria da Feira.
O contrato foi celebrado por 60.670 euros, acrescidos de IVA a 6%, também para a prestação de serviços de limpeza das vias públicas e tratamento dos resíduos resultantes dos trabalhos nas freguesias de Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madail.
Também este contrato tem duração de 12 meses, entre 10 de março de 2026 e 9 de março de 2027. 2
Os contratos públicos analisados pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA mostram, assim, uma diferença de 18.670 euros entre os dois períodos, correspondente a um aumento de cerca de 44,5%.
Na Assembleia, Ricardo Gaspar relacionou as dificuldades sentidas no terreno com o preço apresentado pela atual adjudicatária durante o procedimento.
"Quando apresentou o contrato, ele apresentou um contrato muito barato", afirmou. O autarca comparou a proposta vencedora, na ordem dos 60 mil euros, com valores superiores apresentados por outros concorrentes.
Ricardo Gaspar afirmou ainda que a empresa terá percebido, já durante a execução, que não tinha capacidade para assegurar sozinha todos os trabalhos a que se comprometera.
"Começa a ver que não tinha hipótese de fazer o que realmente se comprometeu. Então, o que é que faz? Contratou outra empresa", afirmou.
Segundo a explicação dada pelo Executivo, uma equipa procede ao corte da vegetação e outra surge posteriormente para fazer a recolha dos resíduos. É nesse intervalo que se têm verificado os atrasos contestados por moradores.
O assunto chegou à Assembleia depois do cidadão Fernando Almeida chamar a atenção para situações em que a vegetação terá sido cortada, mas os sobrantes permaneceram no local.
Na resposta, o executivo distinguiu os trabalhos realizados diretamente pelos funcionários da Junta dos que ficaram a cargo da empresa contratada e reconheceu que, no caso desta última, houve situações em que a recolha não acompanhou o corte.
Ricardo Gaspar garantiu que a situação está a ser acompanhada, mas não anunciou qualquer penalização, resolução do contrato ou outro procedimento contra a adjudicatária.
A análise documental do REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA permite, para já, estabelecer dois factos: o atual contrato custa mais 18.670 euros do que o anterior e ambos têm a duração de 12 meses. Paralelamente, o próprio executivo admite problemas na execução do serviço.