2026/08/07
Perante a polémica gerada nas redes sociais, o Terras Check analisa o que é verdadeiro, o que é falso e o que falta contextualizar.
Nas últimas semanas, têm circulado nas redes sociais publicações que afirmam que o Município de Espinho "gastou 120 mil euros num sunset". A alegação parte de um facto verdadeiro, mas omite elementos essenciais que alteram o seu significado.
É verdade que existe uma adjudicação pública de cerca de 120 mil euros relacionada com a iniciativa inicialmente designada "Magic Sunset", atualmente apresentada pela autarquia como "Escadas da Baía". No entanto, o valor não corresponde ao custo de um único evento, mas sim ao investimento global de um programa composto por 12 espetáculos, segundo a informação oficial divulgada pelo Município.
O Região de Terras de Santa Maria noticiou, em julho, que o Município de Espinho adjudicou um contrato de 120.850 euros (acrescidos de IVA) para a produção do projeto "Magic Sunset" a uma empresa constituída pouco mais de um mês antes da celebração do contrato.
A notícia incidia sobre a contratação pública, nomeadamente sobre a modalidade do procedimento, a empresa escolhida e o valor da adjudicação.
Nas redes sociais era difundida a ideia de que a Câmara Municipal teria gasto "120 mil euros num sunset", uma formulação que simplifica o conteúdo do contrato e não traduz integralmente o objeto da iniciativa.
Após a adjudicação, o projeto passou a ser apresentado publicamente como "Escadas da Baía". O município de Espinho explica ao REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA que se trata de um programa de animação de verão composto por 12 espetáculos gratuitos, realizados entre 24 de julho e 29 de agosto, às sextas-feiras e aos sábados, nas Escadas da Baía.
Segundo a autarquia, a iniciativa pretende dinamizar a frente marítima, reforçar a atratividade turística de Espinho e estimular a atividade económica local.
De acordo com a informação divulgada pelo Município, o investimento global de 120 mil euros abrange toda a organização da iniciativa e não apenas a atuação de artistas ou um único espetáculo.
Entre os custos identificados encontram-se:
Assim, a informação oficial não sustenta a ideia de que os 120 mil euros correspondam ao custo de um único "sunset".
Outro elemento frequentemente ausente nas publicações partilhadas nas redes sociais diz respeito à origem do financiamento.
Na nota de imprensa, o Município afirma que o investimento é "integralmente financiado pelo Turismo de Portugal", no âmbito de um programa de apoio à promoção turística e à dinamização dos destinos.
Ou seja, segundo a informação oficial da autarquia, o financiamento da iniciativa provém de verbas atribuídas pelo Turismo de Portugal para esse fim.
A afirmação que circula nas redes sociais é enganadora.
Existe, efetivamente, uma adjudicação pública na ordem dos 120 mil euros relacionada com o projeto inicialmente designado "Magic Sunset", hoje denominado "Escadas da Baía". Porém, a informação oficial indica que esse montante corresponde ao investimento global de um programa composto por 12 espetáculos gratuitos, incluindo toda a produção técnica, artística e logística.
Acresce que, segundo o Município de Espinho, o investimento é integralmente financiado pelo Turismo de Portugal.
A alegação baseia-se num valor real, mas apresenta-o de forma descontextualizada, levando a concluir, erradamente, que os 120 mil euros correspondem ao custo de um único evento ou de uma única festa ao pôr do sol. A documentação disponível aponta para um programa de 12 iniciativas, cujo financiamento, de acordo com a autarquia, é assegurado pelo Turismo de Portugal.