2026/10/17
Os dois concelhos da região estão entre os 40 municípios portugueses onde foi identificada a espécie invasora. Autoridades de saúde reforçam a vigilância, apesar de não existirem casos conhecidos de transmissão local de dengue.
Arouca e Santa Maria da Feira estão entre os 40 concelhos portugueses onde já foi identificada a presença do mosquito-tigre, uma espécie invasora capaz de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya. As autoridades de saúde garantem que não há registo de transmissão local destas doenças, mas a expansão do inseto está a motivar o reforço da vigilância em Portugal.
O mosquito-tigre (Aedes albopictus), uma espécie invasora com capacidade para transmitir doenças potencialmente graves, já foi identificado nos concelhos de Arouca e Santa Maria da Feira. Os dois municípios da região de Terras de Santa Maria integram a lista de 40 concelhos portugueses onde foi confirmada a presença deste inseto.
A expansão da espécie está a acontecer de norte a sul do país, com base nos dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE).
Apesar da presença do mosquito nestes territórios, as autoridades de saúde esclarecem que a identificação da espécie não significa que os insetos estejam infetados ou que exista transmissão das doenças à população.
A identificação do mosquito-tigre em Arouca e Santa Maria da Feira coloca os dois municípios no nível 1 de risco, correspondente ao alerta amarelo previsto no plano nacional de prevenção e controlo de doenças transmitidas por mosquitos.
Este nível pressupõe a manutenção da vigilância e a adoção de medidas preventivas para impedir a proliferação da espécie.
O plano nacional contempla quatro níveis de risco, que vão do verde, correspondente ao risco mínimo, ao vermelho, reservado para situações de surto ou epidemia.
A DGS considera que a presença do mosquito exige acompanhamento, sobretudo devido à possibilidade de transmissão de vírus caso o inseto pique uma pessoa infetada.
Desde o início de 2026, foram confirmados em Portugal 18 casos de dengue e quatro de chikungunya, segundo os dados divulgados pelas autoridades de saúde.
Todos os casos foram classificados como importados, o que significa que as infeções foram contraídas fora do território nacional.
Até ao momento, não foram identificados casos de transmissão local destas doenças associados ao mosquito-tigre em Portugal continental.
Ainda assim, os especialistas alertam para a importância de acompanhar a expansão da espécie, particularmente num contexto de alterações climáticas que podem favorecer a sobrevivência e reprodução destes insetos.
Em abril deste ano, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical já tinha divulgado que o mosquito-tigre estava identificado em 28 concelhos portugueses. Os dados agora conhecidos apontam para a presença da espécie em 40 municípios, mais 12 do que os anteriormente referenciados.
O mosquito-tigre distingue-se pela coloração escura, pelas riscas brancas nas patas e por uma linha branca na parte superior do corpo.
Ao contrário de outras espécies, pode apresentar atividade durante o dia, sendo particularmente importante evitar condições que favoreçam a sua reprodução.
A DGS recomenda a eliminação de águas paradas em vasos, pratos de plantas, baldes, pneus, caleiras e outros recipientes existentes em jardins, quintais e espaços públicos.
Estes locais podem transformar-se em criadouros, permitindo a reprodução do mosquito e contribuindo para a sua expansão.
As autoridades de saúde aconselham também a utilização de repelentes e roupa que proteja a pele, sobretudo em zonas onde a espécie já foi identificada.
A população pode contribuir para a vigilância através da plataforma MosquitoWeb ou da aplicação Mosquito Alert, comunicando a presença de exemplares suspeitos.
A expansão do mosquito-tigre em Portugal está a ser acompanhada pelas autoridades de saúde pública, que procuram identificar novos locais de presença da espécie e prevenir eventuais situações de transmissão de doenças.
Os especialistas sublinham que a presença do inseto não representa, por si só, uma ameaça imediata à saúde pública.
No entanto, a identificação da espécie em concelhos como Arouca e Santa Maria da Feira reforça a importância da vigilância e das medidas de prevenção, especialmente nos espaços onde existem condições favoráveis à sua reprodução.