2026/11/03
Santa Maria da Feira participa na Cimeira da Habitação do Norte, que reúne autarcas e construtoras com 285 milhões de euros disponíveis para projetos habitacionais.
Município de Santa Maria da Feira participa num encontro promovido pela CCDR-Norte que reúne autarcas e grandes construtoras para encontrar soluções para a falta de habitação acessível. Do financiamento disponível, 200 milhões de euros destinam-se a investimentos municipais.
Santa Maria da Feira é um dos municípios que vão participar, esta quarta-feira, 4 de novembro, na Cimeira da Habitação do Norte, uma iniciativa promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) que pretende aproximar autarquias e empresas de construção na procura de soluções para aumentar a oferta de casas a preços acessíveis. O encontro decorre em Vila Nova de Gaia e tem como pano de fundo 285 milhões de euros disponíveis para candidaturas a projetos habitacionais.
A cimeira reúne representantes de algumas das maiores construtoras do país e responsáveis de 15 municípios, entre os quais Santa Maria da Feira, Porto, Vila Nova de Gaia, Braga, Matosinhos, Gondomar, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. Santa Maria da Feira é o único concelho da região de Terras de Santa Maria incluído na lista de participantes divulgada pelo Jornal de Notícias.
O objetivo é identificar oportunidades de investimento, promover a cooperação entre o setor público e privado e encontrar respostas que permitam acelerar a construção de habitação a preços compatíveis com os rendimentos das famílias.
Dos 285 milhões de euros disponibilizados pela CCDR-Norte, 200 milhões destinam-se aos municípios, para investimentos em habitação apoiada e acessível. Os restantes 85 milhões de euros estão previstos para outras respostas habitacionais, incluindo as chamadas casas de função, destinadas a profissionais como médicos, enfermeiros e professores em territórios de menor densidade.
Para Santa Maria da Feira, a participação no encontro representa uma oportunidade de conhecer instrumentos de financiamento e estabelecer contactos com empresas que poderão vir a desenvolver projetos habitacionais. No entanto, não são ainda conhecidos os projetos que a autarquia pretende apresentar nem os montantes a que poderá candidatar-se.
A iniciativa surge numa altura em que a dificuldade de acesso à habitação continua a agravar-se na Região Norte. Segundo um diagnóstico da CCDR-Norte, o valor mediano da avaliação bancária das casas aumentou 146,6% entre 2015 e 2025, enquanto o salário líquido mensal cresceu apenas 61,4% no mesmo período.
Em 2025, o valor mediano da avaliação bancária atingiu 1667 euros por metro quadrado, evidenciando o desfasamento entre a evolução dos preços da habitação e os rendimentos das famílias.
Apesar destas dificuldades, a Região Norte mantém um peso significativo na construção nacional. Em 2025, foram licenciados 18.923 fogos e concluídos 12.092, representando mais de 45% do total nacional em ambos os indicadores. Ainda assim, os níveis de construção permanecem abaixo dos registados no início do século.
A cimeira contará com a participação de empresas como a Mota-Engil, DST, Casais, Grupo ACA, Conduril, Alexandre Barbosa Borges, Ferreira, Gabriel Couto, Omatapalo e Garcia, Garcia.
O presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos, explicou ao Jornal de Notícias que a iniciativa pretende responder a uma questão concreta: "O que podemos fazer mais para disponibilizar mais habitação a preços acessíveis, a curto e médio prazo?"
O encontro pretende contribuir para a definição de uma agenda regional para a habitação, identificando formas de mobilizar investimento público e privado e ultrapassar obstáculos à construção.
Para Santa Maria da Feira, concelho com forte atividade económica e industrial, a disponibilidade de habitação a preços acessíveis é também um fator importante para a fixação de população e a atração de trabalhadores.
A Cimeira da Habitação decorre no Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, estando prevista a apresentação das principais conclusões no final da manhã. Ficará por conhecer de que forma o município de Santa Maria da Feira pretende transformar a participação nesta iniciativa em projetos concretos de habitação para o concelho.