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Região de Terras de Santa Maria

2026/06/11

Recuperação do pavilhão das Travessas vai avançar por fases: câmara lança obra de €915 mil euros metade dos dois milhões previstos em março

São João da Madeira

Câmara de São João da Madeira lança obra de 915 mil euros no piso do Pavilhão das Travessas, metade dos dois milhões previstos em março para a reabilitação global anunciados em março pelo presidente João Oliveira.

A Câmara Municipal de São João da Madeira aprovou a abertura do concurso público para a empreitada de reabilitação do piso desportivo do Pavilhão das Travessas, uma intervenção com o valor base de 914.967 euros. O montante representa cerca de metade do investimento que o próprio município previa em março, quando apontava para uma intervenção global de cerca de dois milhões de euros no equipamento municipal, tal como o REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA escreveu aqui

+ Ler mais: Município de São João da Madeira prevê avançar com investimento de € 2 milhões no Pavilhão das Travessas

A recuperação do Pavilhão das Travessas deverá, assim, avançar por fases. Em março, a autarquia indicava que a intervenção pretendia reabilitar um equipamento com 33 anos, reforçando a segurança, a eficiência energética e as condições para a prática desportiva. O projeto então anunciado incluía trabalhos na cobertura, melhoria dos sistemas de drenagem, reparação dos danos provocados pela entrada de água, requalificação e elevação do pavimento desportivo e instalação de uma Unidade de Produção para Autoconsumo, com painéis fotovoltaicos.

Na reunião de Câmara de 9 de junho, porém, o procedimento aprovado diz respeito apenas à reabilitação do piso desportivo. A proposta foi aprovada por unanimidade, embora a oposição tenha deixado críticas ao prazo definido para apresentação de propostas e à opção de avançar, nesta fase, apenas com parte da intervenção.

A obra foi apresentada pelo presidente da Câmara como urgente e necessária para que os atletas e associações desportivas possam voltar a utilizar o pavilhão. O autarca explicou que o procedimento diz respeito à reparação do piso e à reposição das condições de utilização do equipamento, depois dos danos provocados pelas intempéries.

O executivo sublinhou que a prioridade é devolver o Pavilhão das Travessas à prática desportiva “rapidamente”, lembrando que a indisponibilidade do espaço tem obrigado o município a suportar custos adicionais com o aluguer de outros pavilhões para que clubes e coletividades possam treinar.

PS critica prazo de seis dias para apresentação de propostas

Apesar de ter votado favoravelmente a proposta, o Partido Socialista levantou reservas quanto ao prazo previsto no concurso público. O vereador José Nuno Vieira considerou que seis dias para apresentação de propostas é um período demasiado curto para uma empreitada próxima de um milhão de euros.

O eleito socialista reconheceu a urgência da intervenção, mas alertou que, face ao valor da obra e à atual sobrecarga das empresas de construção, o prazo mínimo legal pode limitar a concorrência e impedir o município de obter a melhor proposta possível.

Para José Nuno Vieira, quanto maior for o número de concorrentes, maior será a probabilidade de a autarquia conseguir um preço mais vantajoso. Por isso, defendeu que o prazo deveria ser alargado, mesmo admitindo a necessidade de acelerar a reposição das condições do pavilhão.

Oposição queria reabilitação integral do pavilhão

O PS estranhou ainda que o procedimento agora aprovado diga respeito apenas ao piso, quando, segundo a oposição, a necessidade conhecida era de uma intervenção mais ampla no Pavilhão das Travessas, incluindo a cobertura e outros espaços do equipamento.

José Nuno Vieira recordou que já tinha sido aprovada a contração de um empréstimo para viabilizar a intervenção no pavilhão e defendeu que a posição socialista era a realização de uma reabilitação integral. O vereador apontou, nomeadamente, para a necessidade de intervenção nos balneários e nas condições gerais de utilização do espaço, considerando que a substituição do piso e a futura intervenção na cobertura não resolvem todos os problemas do equipamento.

O eleito socialista justificou que, durante a governação anterior, a opção tinha sido aguardar por financiamento comunitário no âmbito do Portugal 2030. Segundo explicou, quando essa expectativa deixou de existir, a intenção seria recorrer a empréstimo para avançar com uma reabilitação global.

Executivo invoca enquadramento nos danos das tempestades

Em resposta, o executivo municipal liderao por João Oliveira explicou que o processo teve de respeitar vários passos burocráticos relacionados com o enquadramento dos danos provocados pelas tempestades. Foi referido que o município aguardou pelo reconhecimento da situação por parte da CCDR, que terá ocorrido a 12 de maio, permitindo enquadrar a intervenção nos mecanismos associados ao PTRR.

Segundo a Câmara, esse enquadramento é importante para procurar financiamento e beneficiar de condições específicas de contratação pública. O executivo explicou ainda que a natureza dos trabalhos do piso é diferente da intervenção na cobertura, razão pela qual os procedimentos não avançam em conjunto.

O presidente da Câmara admitiu que o prazo de seis dias é o prazo mínimo, mas justificou a opção com a necessidade de acelerar a obra. Ainda assim, deixou em aberto a possibilidade de voltar à reunião de Câmara para ratificar o aumento do prazo, caso não surjam propostas.

Cobertura será tratada em processo separado

A intervenção na cobertura do Pavilhão das Travessas não está incluída neste concurso público. O executivo adiantou que estão a ser analisadas várias hipóteses para essa obra, incluindo uma solução isolada para a cobertura ou uma proposta de conceção-construção com eventual instalação de sistema OPAC.

O presidente João Oliveira reconheceu que o pavilhão das Travessas precisa de uma reabilitação mais profunda, não apenas no piso e na cobertura, mas também noutros elementos do edifício. No entanto, afirmou que o município pretende avançar “passo a passo”, dando prioridade imediata à reposição das condições de prática desportiva.

Durante a discussão, foi ainda levantada a possibilidade de instalar um marcador eletrónico mais moderno, adaptado às atuais necessidades competitivas e à utilização do pavilhão para diferentes atividades.

A empreitada de reabilitação do piso foi aprovada por unanimidade, incluindo a decisão de contratar, a realização da despesa, a escolha do concurso público, a designação do gestor de contrato, a designação do júri e as peças do procedimento.

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