2026/08/05
PS defendia a instalação temporária da Biblioteca Municipal na Torre da Oliva, mas o executivo optou pela Malizá para preservar uma receita anual de cerca de 24 mil euros e manter os eventos no espaço.
A receita anual gerada pela Torre da Oliva foi um dos principais argumentos apresentados pelo presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira para justificar a decisão de não instalar provisoriamente a Biblioteca Municipal naquele espaço.
Durante a última reunião de executivo camarário, João Oliveira afirmou que a Torre da Oliva representa para o município uma receita de cerca de 24 mil euros por ano. A utilização do edifício pela Biblioteca implicaria, segundo o executivo, abdicar desse rendimento e limitar a realização de eventos que habitualmente decorrem no local.
Foi neste contexto que a Câmara optou por instalar temporariamente a Biblioteca nas antigas instalações da Malizá, em vez de recorrer à Torre da Oliva, alternativa defendida pelos vereadores do Partido Socialista.
O presidente sustentou ainda que parte das despesas necessárias para adaptar a Malizá também existiria caso a Biblioteca fosse instalada na Torre da Oliva. Para o executivo, a comparação entre as duas soluções não pode ser feita apenas com base no valor da renda do espaço privado, devendo também considerar a receita que o município deixaria de obter e os eventos que poderiam deixar de realizar-se naquele equipamento.
A solução escolhida prevê uma renda mensal de 2.500 euros no primeiro ano e de 3.000 euros no segundo, num contrato com duração inicial de 24 meses e possibilidade de renovação. A adaptação do espaço deverá representar um custo próximo dos 24.700 euros.
João Oliveira defendeu também que a localização provisória na Malizá poderá dar maior visibilidade à Biblioteca Municipal e atrair mais utilizadores. O autarca manifestou a expectativa de que o espaço apresente condições adequadas para o funcionamento temporário do serviço.
Os vereadores do Partido Socialista mantiveram, contudo, a defesa da Torre da Oliva como alternativa à Malizá, considerando que a utilização de um espaço municipal permitiria reduzir de forma significativa os encargos da transferência.
A oposição contrapôs que os eventos habitualmente realizados na Torre da Oliva poderiam ser distribuídos por outros equipamentos municipais, como o Auditório do Museu da Chapelaria, a Oliva Creative Factory, a Sala do Terraço, o Museu do Calçado, os Paços da Cultura e o Auditório da Sanjotec.
Segundo o PS, essa solução permitiria manter a programação municipal e, simultaneamente, evitar o pagamento de uma renda por um espaço privado.
A escolha da localização provisória da Biblioteca mantém, assim, duas leituras distintas. O executivo considera que a receita anual da Torre da Oliva e a continuidade dos eventos justificam a opção pela Malisan, enquanto o PS entende que a utilização de património municipal permitiria uma poupança relevante.
O presidente apontou a primeira quinzena de agosto como horizonte para a conclusão dos trabalhos necessários e para a entrada em funcionamento da Biblioteca na nova localização provisória.