2026/10/25
Prometida em 2017, a Praça Maior deveria ter sido uma realidade no segundo mandato. Agora, Joaquim Jorge admite que poderá terminar 12 anos à frente da Câmara de Oliveira de Azeméis sem concluir uma das suas principais bandeiras eleitorais.
Em 2021, Joaquim Jorge prometeu que Oliveira de Azeméis teria a Praça Maior nos quatro anos seguintes. O segundo mandato terminou sem que a obra tivesse começado. Agora, no terceiro e último mandato consecutivo, o presidente admite que não consegue garantir a conclusão do projeto até 2029.
Foi uma das grandes promessas eleitorais que ajudaram a marcar a chegada de Joaquim Jorge à presidência da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, em 2017. A Praça Maior deveria transformar o centro da cidade, criando uma nova centralidade urbana junto aos Paços do Concelho. Nove anos depois, o projeto continua sem sair do papel e o presidente já não consegue assegurar que a obra seja uma realidade antes de terminar a sua presidência.
A admissão foi feita durante a apresentação do balanço do primeiro ano do terceiro mandato, quando Joaquim Jorge foi questionado sobre a possibilidade de concluir a Praça Maior até 2029.
“Não consigo dizer isso porque não sei se vai haver concorrentes interessados”, respondeu o autarca, acrescentando que também desconhece o prazo necessário para executar a componente habitacional prevista para o local.
A declaração contrasta com a convicção que o presidente manifestou durante o segundo mandato, quando acreditava que a obra seria concretizada até 2025.
A Praça Maior atravessou, assim, dois mandatos completos de Joaquim Jorge e entra no terceiro sem uma data garantida para a conclusão.
A história da Praça Maior é também a história de um compromisso eleitoral sucessivamente renovado.
Em junho de 2021, durante a pré-campanha para as eleições autárquicas, Joaquim Jorge reconheceu publicamente que não tinha conseguido concretizar uma das promessas assumidas quatro anos antes.
Numa intervenção noticiada pelo azeméis.net, pediu desculpa aos oliveirenses pelo incumprimento, mas garantiu que o projeto não seria abandonado.
“Não desistimos desse compromisso”, afirmou, associando a concretização da Praça Maior à responsabilidade de cumprir as promessas políticas.
A garantia foi reforçada durante a campanha eleitoral desse ano, quando o presidente manifestou a convicção de que, nos quatro anos seguintes, Oliveira de Azeméis teria a nova praça.
O segundo mandato chegou ao fim, em 2025, sem que isso acontecesse.
Ao longo dos últimos anos, a Câmara Municipal procurou diferentes soluções para conseguir concretizar o projeto.
Uma das principais dificuldades esteve relacionada com a propriedade dos terrenos destinados à intervenção.
Em 2022, o município chegou a um entendimento com os proprietários que previa disponibilizar parte da área para a Praça Maior, permitindo simultaneamente a construção privada na parcela restante.
A solução foi apresentada como uma forma de desbloquear o projeto, mas acabaria por não se concretizar.
Segundo explicou Joaquim Jorge no balanço do primeiro ano de mandato, os estudos realizados pelos privados concluíram que o investimento não apresentava viabilidade financeira, levando ao abandono da proposta.
Em abril de 2026, o executivo decidiu regressar ao processo de expropriação total, com uma indemnização estimada em mais de 1,2 milhões de euros.
O presidente afirmou agora que a Câmara detém a totalidade do terreno e pretende encontrar um modelo jurídico que permita concretizar simultaneamente a praça, o estacionamento e os edifícios habitacionais.
Apesar das sucessivas dificuldades, Joaquim Jorge garantiu que o projeto arquitetónico da Praça Maior está concluído e já obteve a aprovação da entidade competente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
O obstáculo atual está na definição da solução jurídica que permitirá envolver investidores privados na construção do conjunto.
O procedimento, que chegou a estar previsto para 2026, deverá agora avançar durante 2027.
“Temos todas as condições para avançar. Estamos, precisamente, a afinar o modelo jurídico”, afirmou.
A operação poderá representar um investimento de muitas dezenas de milhões de euros, mas o presidente não apresentou um valor final nem um prazo de construção.
O autarca explicou que a Câmara pretende evitar que a praça fique concluída primeiro e que, anos mais tarde, o espaço volte a transformar-se num estaleiro para a construção de edifícios.
“Não nos interessa o prazo da Praça Maior, interessa-nos o prazo para a construção integral”, justificou.
A Praça Maior continua a ser apresentada pelo executivo como uma intervenção estratégica para o centro de Oliveira de Azeméis, destinada a criar espaços públicos, estacionamento, habitação, comércio e novas dinâmicas urbanas.
Mas o calendário político mudou.
Em 2017, era uma promessa do primeiro mandato. Em 2021, Joaquim Jorge renovou o compromisso de a concretizar nos quatro anos seguintes. Em 2026, já no último mandato consecutivo, o presidente reconhece que não pode garantir a conclusão até 2029.
A Praça Maior poderá, por isso, terminar os 12 anos de presidência de Joaquim Jorge na mesma condição em que entrou na sua primeira campanha autárquica: um projeto anunciado, mas ainda por concretizar.