2026/10/22
Documento oficial reconhece que, desde a primeira aprovação, em 2002, não foram realizados exercícios destinados a testar o plano municipal. A revisão de 2026 prevê agora duas simulações para avaliar a resposta a situações de emergência.
Oliveira de Azeméis tem um Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil desde 2002, mas nunca realizou exercícios destinados a testar o seu funcionamento. A revelação consta da documentação oficial da segunda revisão do plano, datada de setembro de 2026, analisada pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA.
A informação surge no capítulo dedicado ao registo de atualizações e exercícios, onde o município reconhece expressamente: "Até à presente data não foram elaborados exercícios com vista a testar o PMEPC de Oliveira de Azeméis."
O historial do plano ajuda a perceber a dimensão temporal desta ausência. A primeira versão foi aprovada em janeiro de 2002, seguindo-se uma revisão aprovada em julho de 2014. A segunda revisão, agora apresentada, surge em setembro de 2026.
Ao longo deste período, que atravessou diferentes executivos municipais, não existem exercícios registados destinados a testar o instrumento que estabelece a resposta articulada do concelho a acidentes graves e catástrofes.
O Plano Municipal de Emergência é o documento que define a organização da resposta a situações excecionais, estabelecendo responsabilidades, mecanismos de coordenação, mobilização de meios de socorro, procedimentos de evacuação e apoio às populações.
Entre os riscos identificados para Oliveira de Azeméis estão incêndios rurais, incêndios urbanos e industriais, acidentes com matérias perigosas, cheias, fenómenos meteorológicos extremos e acidentes rodoviários com múltiplas vítimas.
Os incêndios rurais merecem particular destaque na avaliação municipal, sendo classificados com probabilidade médio-alta e gravidade crítica.
O teste de um plano desta natureza procura verificar não apenas a capacidade individual de intervenção dos bombeiros ou das forças de segurança, mas também a eficácia da coordenação entre as diferentes entidades.
A inexistência de exercícios registados não significa que os agentes de proteção civil nunca tenham participado em simulacros ou operações reais. Significa que o município não documenta testes especificamente destinados a avaliar o funcionamento integrado do seu Plano Municipal de Emergência.
Essa distinção é importante. Uma ocorrência real pode mobilizar várias entidades, mas não substitui necessariamente um exercício planeado, no qual os procedimentos são avaliados e os resultados analisados para identificar eventuais falhas.
A revisão de 2026 estabelece agora um programa de exercícios a concretizar após a entrada em vigor do plano.
O primeiro, denominado AZEMEX 01, prevê a simulação de um incêndio urbano num equipamento municipal, através de um exercício de posto de comando. O objetivo é avaliar procedimentos de decisão e coordenação, sem exigir a mobilização real de todos os recursos operacionais. A realização está prevista para os primeiros seis meses.
O segundo, AZEMEX 02, corresponde a um acidente rodoviário com múltiplas vítimas e deverá decorrer à escala real, mobilizando efetivamente meios de socorro. Está previsto para os primeiros 12 meses.
Depois destes exercícios, o município prevê manter uma periodicidade máxima de dois anos, conforme estabelecido na regulamentação aplicável.
A escolha dos cenários levanta também uma questão: embora os incêndios rurais estejam entre os riscos de maior gravidade identificados pelo próprio município, não fazem parte das duas primeiras simulações previstas.
A inexistência de testes ao Plano Municipal de Emergência não é uma situação exclusivamente imputável ao atual executivo camarário. O historial documentado remonta a 2002, atravessando diferentes presidências e mandatos.
Ao logo de 24 anos não ficou registada a realização de exercícios destinados a avaliar de forma estruturada o funcionamento do principal instrumento municipal de coordenação de emergência.
Com a segunda revisão do plano, a Câmara Municipal compromete-se a alterar essa realidade.
A questão passa agora por saber quando serão concretizados os exercícios anunciados, que dificuldades poderão ser identificadas e de que forma os resultados serão utilizados para melhorar a preparação do concelho.