2026/04/20
Novo PDM de Santa Maria da Feira prevê 82 milhões de euros em 10 anos, mas valor gera dúvidas sobre capacidade de transformação do concelho.
O novo Plano Diretor Municipal (PDM) de Santa Maria da Feira avança para fase decisiva com um investimento previsto de cerca de 82 milhões de euros ao longo de 10 anos, um valor que dominou o debate político na última Assembleia Municipal e que está no centro das dúvidas sobre o impacto real do documento.
O montante, que corresponde a cerca de oito milhões de euros por ano, foi apresentado como o esforço financeiro municipal associado à execução do plano. Ainda assim, vários intervenientes questionaram se este nível de investimento será suficiente para responder às necessidades de um concelho com grande dimensão territorial, forte dinâmica industrial e desafios acumulados ao nível das infraestruturas.
O executivo municipal defendeu o valor como uma opção equilibrada, sublinhando que o objetivo foi garantir um plano financeiramente sustentável, sem comprometer o equilíbrio orçamental do município. Segundo foi explicado, o PDM não inclui todo o investimento necessário para o desenvolvimento do território, funcionando antes como uma base que deverá ser complementada por investimento privado.
Esta estratégia assenta na ideia de que o crescimento do concelho não depende apenas do esforço público, mas também da capacidade de atrair iniciativa privada e de criar condições para esse investimento.
Apesar da lógica de prudência financeira, o valor global gerou reservas. A principal questão levantada prende-se com a capacidade real de o plano produzir mudanças significativas no território, tendo em conta a extensão da rede viária, as necessidades urbanísticas e a ambição estratégica do documento.
Durante a discussão, foi defendido que o investimento previsto poderá revelar-se insuficiente para assegurar a transformação desejada, admitindo-se que o valor venha a ser reforçado ao longo da execução do plano.
Mais do que o valor em si, o debate acabou por reforçar uma preocupação recorrente: a execução. A credibilidade do PDM dependerá da concretização efetiva dos projetos previstos, sendo apontado que um plano só ganha relevância quando se traduz em intervenções no terreno.
A necessidade de garantir acompanhamento contínuo, capacidade de financiamento e articulação entre investimento público e privado foi apontada como determinante para o sucesso do documento.
O novo PDM é apresentado como um instrumento central para orientar o desenvolvimento de Santa Maria da Feira nas próximas décadas, influenciando o ordenamento do território, a mobilidade e a qualidade de vida da população.
No entanto, o foco no investimento revela desde já um dos principais desafios do plano: transformar uma estratégia definida em resultados concretos. O valor de 82 milhões de euros marca o ponto de partida, mas será a sua execução — e eventual reforço — que determinará o verdadeiro alcance desta revisão.