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Região de Terras de Santa Maria

2026/10/01

Pavilhão das Travessas: plano desportivo aponta seis milhões de euros, presidente estranha valor e PS cobra explicações

São João da Madeira

Valor consta do plano desportivo para um horizonte de cinco anos. Debate expôs também o atraso na reabertura do equipamento e os cerca de 1,26 milhões de euros já previstos para piso e cobertura.

O Pavilhão das Travessas voltou ao centro da discussão política em São João da Madeira. Desta vez, por causa de um número que abriu nova frente de debate: seis milhões de euros previstos no plano desportivo municipal para intervenções no equipamento ao longo de cinco anos.

Foi a deputada municipal do PS Marisa Brandão quem confrontou o executivo com o valor durante a Assembleia Municipal. A socialista lembrou que o documento tinha sido apresentado pelo próprio município e questionou o presidente da Câmara sobre a dimensão financeira agora apontada para o pavilhão.

A reação inicial do autarca foi de estranheza.

"Agora, seis milhões, onde é que vamos buscar este valor? Seis milhões. Não estou a ver, sinceramente", respondeu.

Marisa Brandão insistiu que não se tratava de um número avançado pela oposição, mas de uma verba inscrita no plano desportivo apresentado pelo executivo.

"Esse plano desportivo falava lá em seis milhões para uma execução a cinco anos. Os senhores é que o escreveram", afirmou.

Dos dois milhões aos seis milhões

O PS recuperou ainda os diferentes valores que foram sendo associados ao Pavilhão das Travessas.

Segundo Marisa Brandão, o executivo tinha anteriormente apresentado uma solução na ordem dos dois milhões de euros, surgindo agora uma previsão global de seis milhões para um período de cinco anos.

A deputada acusou a Câmara de sucessivas mudanças de orientação e voltou a questionar por que motivo não foi executado o projeto preparado pelo anterior executivo.

O presidente rejeitou, porém, que os seis milhões correspondam a uma intervenção imediata.

«A questão dos seis milhões, e falou-lhe muito bem, em cinco anos, não são 12 meses. Assim como oito anos não são oito meses», afirmou.

O autarca insistiu que o compromisso assumido para o primeiro ano de mandato era, numa primeira fase, reabilitar a cobertura do pavilhão, ficando a recuperação mais ampla do equipamento prevista para um horizonte plurianual.

Piso destruído alterou o calendário

A estratégia inicialmente prevista acabou, entretanto, condicionada pelos danos no piso do pavilhão.

O presidente admitiu que a Câmara esperava ter o equipamento novamente disponível para os clubes no final de setembro, mas essa previsão não foi cumprida.

Segundo explicou, um primeiro procedimento não avançou depois da desistência da empresa envolvida. Num segundo procedimento, a solução encontrada acabou por não reunir as condições técnicas necessárias para executar a obra.

O município procura agora uma empresa capaz de responder às duas componentes da intervenção: construção civil e especialização em pavimentos desportivos.

Perante os sucessivos atrasos, o presidente recusou avançar com uma nova data para a reabertura.

"Só falho uma vez, não falho duas", afirmou, garantindo que só anunciará um novo calendário quando tiver condições para o cumprir.

Piso e cobertura já rondam 1,26 milhões

Enquanto a discussão política se concentra no plano dos seis milhões, há já valores concretos para as intervenções consideradas prioritárias.

Segundo o presidente da Câmara, a substituição do piso deverá custar cerca de 914 mil euros, enquanto a intervenção na cobertura ronda os 350 mil euros.

As duas operações representam, assim, aproximadamente 1,26 milhões de euros.

A cobertura já foi adjudicada e o município pretende concluir essa intervenção antes da colocação do novo pavimento, de forma a evitar que eventuais infiltrações possam voltar a danificar o piso.

A Câmara deverá ainda receber cerca de 150 mil euros através do seguro e aguarda uma eventual comparticipação do Fundo de Emergência. O custo líquido final para o município permanece, por isso, em aberto.

 

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