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Região de Terras de Santa Maria

2026/06/14

Parque do Rio Ul: ministra veio a São João da Madeira garantir financiamento, mas oposição alerta para problemas de manutenção

São João da Madeira

Maria da Graça Carvalho anunciou apoio à expansão do parque, enquanto PS questiona prioridades e defende intervenção na zona Norte.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, foi a São João da Madeira garantir financiamento para a expansão do Parque do Rio Ul, uma intervenção integrada no projeto-piloto nacional destinado ao reforço dos espaços verdes, à recuperação de ecossistemas, à promoção da biodiversidade e à adaptação às alterações climáticas. O anúncio foi feito no âmbito das comemorações do Dia da Cidade e voltou a estar em discussão na reunião de câmara de 9 de junho, onde a oposição saudou a garantia de financiamento, mas levantou dúvidas sobre as prioridades da intervenção.

São João da Madeira integra um grupo restrito de cinco municípios portugueses que vão desenvolver projetos-piloto de promoção da biodiversidade e adaptação climática. Ao lado de Beja, Évora, Leiria e Vila Real, o concelho deverá avançar com medidas de arborização urbana, criação de corredores verdes, valorização de espaços naturais urbanos e reforço da rede de abrigos climáticos. Entre os projetos incluídos está precisamente a expansão do Parque do Rio Ul.

A vinda da ministra a São João da Madeira foi destacada pelo vereador José Nuno Vieira, do Partido Socialista, que se congratulou com a presença da governante e com a garantia de financiamento para a expansão do parque. No entanto, o eleito socialista questionou se a verba assegurada contempla apenas a expansão para sul e se não deveria ser dada prioridade à zona norte.

Para o PS, a expansão norte deveria merecer uma atenção prioritária, por vir complementar uma intervenção já realizada na Rua Oliveira Figueiredo, junto aos Bombeiros Voluntários, que, segundo José Nuno Vieira, “transformou” aquele arruamento e criou novas condições de fruição pública. O vereador defendeu que a ligação da intervenção já executada ao futuro prolongamento do parque poderia criar uma zona de excelência, sobretudo tendo em conta o novo complexo de padel e ténis em construção naquela área, que deverá incluir também equipamento de bar e restauração.

Na resposta, o presidente da câmara, João Oliveira, garantiu que a intenção do executivo é intervir nas duas frentes. “A nossa intenção é ir aos dois”, afirmou, explicando que há uma parte de financiamento assegurada e que o município terá agora de lançar concursos e estudar se avança com as duas intervenções em simultâneo ou se opta por uma primeira fase. Para o autarca, o mais importante é concretizar as duas partes da expansão do parque, ainda que a calendarização esteja em análise.

Oposição aponta falhas na manutenção do parque existente

Além da expansão, José Nuno Vieira deixou vários alertas sobre o estado atual do Parque do Rio Ul. O vereador frisou que a preocupação não incide sobre a manutenção da jardinagem, mas sim sobre equipamentos e infraestruturas que, no seu entender, exigem uma intervenção mais cuidada por parte da câmara municipal.

Entre os exemplos apontados estão a Casa da Eira, que terá madeiras degradadas a precisar de tratamento, e o moinho, cuja cobertura foi descrita como estando cheia de ervas, transmitindo uma imagem de abandono e podendo originar problemas futuros no equipamento. O vereador referiu ainda a existência de um poste de iluminação caído, várias caixas de rega sem tampa espalhadas pelo relvado, falhas na limpeza regular das casas de banho, assoreamento do leito do rio, degradação das margens, problemas em pontes de madeira e necessidade de manutenção dos ecopontos.

José Nuno Vieira alertou, em particular, para o perigo das caixas de rega sem tampa, classificando-as como “verdadeiras armadilhas”, por se encontrarem em zonas de circulação livre e, por vezes, escondidas pela relva. O vereador defendeu que, antes ou ao mesmo tempo que se pensa em ampliar o parque, é essencial garantir que o espaço atualmente existente mantém uma imagem condigna e condições de segurança para os utilizadores.

O presidente da Câmara reconheceu que o Parque do Rio Ul é um espaço extenso e que tem “algumas mazelas”. O autarca admitiu que a limpeza tem de ser mais regular, embora tenha lamentado comportamentos de utilizadores que deixam lixo no chão mesmo junto às papeleiras. Ainda assim, reconheceu que a pressão de utilização do parque exige maior acompanhamento.

Câmara quer aproveitar financiamento para recuperar o parque existente

Na resposta à oposição, João Oliveira sublinhou que a intervenção futura não deverá limitar-se à criação de novas áreas. Segundo explicou, o executivo tem consciência de que não faria sentido avançar com duas expansões e deixar a zona existente sem a devida recuperação. A intenção, afirmou, é aproveitar o financiamento disponível para ampliar e recuperar o Parque do Rio Ul, criando uma intervenção integrada.

O autarca referiu que o leito do rio precisa de amplitude e que o tema foi abordado durante a visita da ministra do Ambiente, na presença do arquiteto Sidónio Pardal. A vegetação no leito, o assoreamento e a presença de árvores e espécies que condicionam o curso da água foram alguns dos aspetos referidos como problemas a tratar. “Não vale a pena estarmos a fazer duas partes novas e ter uma parte velha”, afirmou o presidente, defendendo que a intervenção deve permitir colocar o parque “impecável”.

Também o vice-presidente interveio para acrescentar que o município adjudicou duas grandes limpezas anuais para o Parque do Rio Ul, o Parque Ferreira de Castro e o Parque de Nossa Senhora dos Milagres. Essas limpezas deverão incidir sobre podas, ervas e espécies infestantes, uma na primavera e outra no outono. O autarca referiu ainda que está a decorrer um concurso para podas e que a questão das espécies invasoras, nomeadamente as heras que cobrem várias árvores, deverá passar a merecer uma intervenção mais efetiva.

Segundo o executivo, esta matéria foi também assinalada pelo arquiteto responsável, tendo sido reconhecido que muitas árvores do Parque do Rio Ul estão cobertas por heras, situação que pode prejudicar o crescimento, o desenvolvimento e até a sobrevivência das espécies arbóreas. A câmara pretende agora avançar com uma limpeza mais aprofundada, sem deixar de acautelar a função de barreira sonora junto ao IC2.

Expansão levanta debate sobre prioridades

O debate deixou claro que há consenso quanto à importância estratégica do Parque do Rio Ul para São João da Madeira, mas também diferentes leituras sobre as prioridades. O PS entende que a zona norte deveria ser tratada como prioritária, por permitir articular a expansão do parque com obras já realizadas e com novos equipamentos desportivos em desenvolvimento. O executivo, por sua vez, mantém a intenção de avançar tanto para norte como para sul, mas admite que ainda está a estudar a melhor forma de calendarizar as intervenções.

Ao mesmo tempo, a discussão evidenciou que a expansão do parque não pode ser desligada da manutenção do espaço existente. As críticas da oposição colocaram em cima da mesa problemas concretos de conservação, segurança e imagem urbana, enquanto o executivo assumiu a necessidade de reforçar a limpeza, tratar o leito do rio, controlar espécies infestantes e recuperar estruturas degradadas.

O futuro do Parque do Rio Ul deverá, por isso, passar por uma intervenção em várias dimensões: expansão territorial, valorização ambiental, recuperação de equipamentos, melhoria da manutenção e reforço da segurança para os utilizadores. A autarquia garante que quer aproveitar “todo o cêntimo” disponível para ampliar e recuperar o parque. A oposição pede que essa ambição comece por olhar para aquilo que já existe.

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