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Região de Terras de Santa Maria

2026/08/26

Municípios das Terras de Santa Maria avançam com dissolução do Parque Empresarial de Recuperação de Materiais

Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis Espinho Vale de Cambra São João da Madeira Arouca

Empresa intermunicipal criada para desenvolver e gerir o Parque Empresarial de Recuperação de Materiais, em Santa Maria da Feira, prepara-se para encerrar. As seis autarquias concordam com a dissolução, embora o processo ainda não esteja concluído.

Empresa intermunicipal criada para desenvolver o Parque Empresarial de Recuperação de Materiais, em Santa Maria da Feira, prepara-se para encerrar. As seis autarquias concordam com a dissolução, embora o processo ainda não esteja concluído em todos os municípios.

Os seis municípios que integram a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM) estão a avançar com o processo de dissolução da PERM, a empresa intermunicipal responsável pelo desenvolvimento e gestão do Parque Empresarial de Recuperação de Materiais, localizado em Pigeiros, Santa Maria da Feira.

A sociedade, detida em 51% pela AMTSM e em 49% por participação privada, foi criada para concretizar uma zona empresarial inicialmente pensada para concentrar operadores ligados à sucata, aos veículos em fim de vida e à recuperação de materiais. Fazem parte da associação os municípios de Santa Maria da Feira, Arouca, Espinho, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Vale de Cambra.

A administração considera agora concluída a missão que justificou a criação da empresa intermunicipal.

“Já se cumpriu o objetivo para o qual ela foi criada”, afirmou à Lusa o presidente do conselho de administração da PERM e presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria. O autarca sublinha, contudo, que a dissolução da sociedade não significa o encerramento do parque empresarial.

O PERM continuará, assim, a funcionar enquanto espaço empresarial, terminando apenas a estrutura societária criada para assegurar a implementação e gestão do projeto.

Projeto inicial não se concretizou totalmente

O parque foi inaugurado em 2015 numa área total superior a 432 mil metros quadrados e tinha como objetivo inicial acolher 88 depósitos de sucata existentes na região, 62 dos quais situados no concelho de Santa Maria da Feira e, segundo a informação divulgada pela administração, na sua maioria sem licenciamento.

O modelo inicialmente previsto, porém, não chegou a concretizar-se integralmente.

A Associação de Municípios reconhece que não foi possível concentrar no mesmo espaço, como inicialmente projetado, todos os operadores de veículos em fim de vida e empresas de recuperação de materiais. Durante a execução do projeto, alterações legislativas e mudanças na realidade económica das empresas do setor levaram ao alargamento do parque a outras atividades empresariais.

Atualmente estão instaladas no parque empresas ligadas ao comércio de sucatas, reciclagem, gestão e valorização de resíduos e valorização de resíduos não metálicos.

Em 2024, os 52 lotes existentes encontravam-se atribuídos. No entanto, apenas 24 tinham empresas já a laborar no local, enquanto 12 apresentavam construções em curso e outros 16 continuavam sem qualquer edificação. Os lotes representam cerca de 233 mil metros quadrados da área global do parque.

Último ativo já foi alienado

A preparação da dissolução ficou também ligada à alienação do último grande ativo imobiliário que permanecia na esfera da empresa intermunicipal: o edifício de apoio ao parque, onde funcionavam serviços comuns destinados às empresas instaladas.

A operação foi concluída no final de 2025 e permitiu à PERM avançar para uma fase em que a atividade se encontra praticamente limitada ao encerramento das responsabilidades financeiras, contabilísticas e jurídicas da sociedade.

Os documentos relativos à atualização do processo de liquidação mostram que, depois da alienação do imóvel, os principais ativos operacionais deixaram de integrar o património da empresa e a atividade operacional ficou “substancialmente cessada”.

A situação financeira também se alterou de forma significativa. O passivo, que na versão inicial do relatório de liquidação ascendia a 694.962,54 euros, encontrava-se reduzido para 42.159,10 euros em abril de 2026.

Na mesma data, a PERM apresentava um património líquido de 458.872,48 euros e cerca de 493 mil euros em caixa e depósitos.

Seis municípios têm de concluir procedimentos

As seis autarquias envolvidas concordam com a dissolução, mas o processo ainda não está formalmente encerrado.

Segundo a informação divulgada pela administração, apenas parte dos municípios concluiu os procedimentos necessários. O calendário final dependerá da aprovação pelos órgãos municipais competentes e da conclusão das operações jurídicas, contabilísticas e financeiras associadas à liquidação da sociedade.

A análise jurídica integrada no processo prevê que as assembleias municipais dos seis municípios autorizem a dissolução, seguindo-se as deliberações dos órgãos da Associação de Municípios e da própria Assembleia Geral da PERM.

Depois da formalização da dissolução, será ainda necessário concluir a liquidação das responsabilidades existentes, cobrar créditos pendentes, fechar as obrigações fiscais e contabilísticas, aprovar as contas finais e determinar o destino do património que permanecer na sociedade.

O parque empresarial, contudo, deverá continuar em funcionamento independentemente do encerramento da empresa intermunicipal.

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