2026/11/06
Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis São João da Madeira 💶Transparência Local
Governo estuda levar o Metro do Porto ao sul da Área Metropolitana depois de o Estado ter realizado obras superiores a 12 milhões de euros na Linha do Vouga. O destino dos investimentos recentes continua por esclarecer.
Plano de reabilitação de 34 milhões de euros, anunciado em 2021, continua a ser executado. Governo admite agora estudar a utilização do mesmo corredor ferroviário para levar o Metro do Porto aos concelhos do sul da Área Metropolitana.
O Governo anunciou novos estudos para o alargamento do Metro do Porto a Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra, numa altura em que o Estado já realizou intervenções avaliadas em pelo menos 12,7 milhões de euros na Linha do Vouga, nos últimos anos. O investimento poderá ser relevante para o futuro da infraestrutura, uma vez que o próprio Governo admite estudar a utilização do atual corredor ferroviário para a nova ligação metropolitana.
Em janeiro de 2021, a Infraestruturas de Portugal (IP) apresentou um plano de reabilitação da Linha do Vouga, com um investimento global estimado em 34 milhões de euros, destinado à renovação dos 96 quilómetros entre Espinho e Aveiro. Os trabalhos deveriam decorrer de forma faseada até 2025, mas algumas das empreitadas continuam em execução em 2026.
Entre as intervenções já concluídas encontram-se os trabalhos entre Águeda e Sernada do Vouga, a recuperação da ponte rodoferroviária de Sernada e da Ponte do Águeda, que representaram um investimento de três milhões de euros.
A renovação do troço entre Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis envolveu outros 3,5 milhões de euros. Já em agosto de 2025, a IP anunciou a conclusão da reabilitação integral da via entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga, num investimento de 6,2 milhões de euros.
O conjunto destas intervenções representa 12,7 milhões de euros em obras concluídas, segundo os valores divulgados pela empresa pública. O montante não corresponde necessariamente ao total de pagamentos já realizados pelo Estado, que não foi possível apurar através da informação pública consultada.
Os investimentos não terminaram. Em abril de 2026, a IP anunciou o início da reabilitação entre Espinho e Santa Maria da Feira, com um investimento de 7,5 milhões de euros e prazo de execução de um ano.
Em maio, foi igualmente anunciada a adjudicação da renovação entre Aveiro e Águeda, por cerca de 6,75 milhões de euros.
Somando estes dois contratos às intervenções concluídas, o valor dos investimentos identificados ascende a 26,95 milhões de euros, embora uma parte corresponda a obras ainda não concluídas.
É neste contexto que surge o anúncio de Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e da Habitação, realizado a 4 de novembro. O Governo pretende estudar o alargamento da rede do Metro do Porto aos quatro municípios do sul da Área Metropolitana, admitindo aproveitar o canal ferroviário da Linha do Vouga.
Ainda não foi definido se o futuro sistema implicará a transformação da infraestrutura existente, a sua adaptação ou uma solução distinta. Também não existe uma avaliação pública sobre o aproveitamento dos investimentos recentes num eventual projeto de metro.
A questão que se coloca é, por isso, qual será o destino das obras realizadas nos últimos anos e até que ponto o investimento público poderá ser aproveitado numa futura solução metropolitana.
O anúncio de novos estudos não significa, por si só, que as intervenções na Linha do Vouga tenham sido desnecessárias. As obras tiveram como objetivo melhorar a segurança, a fiabilidade e as condições de circulação ferroviária. Contudo, a eventual alteração do modelo de transporte torna relevante conhecer a compatibilidade entre os investimentos efetuados e as soluções agora em avaliação.