2026/07/22
Luís Represas deu em Santa Maria da Feira um dos últimos concertos da sua carreira, já com a saúde debilitada, perante uma sala esgotada.
Apesar da saúde já debilitada, o cantor subiu ao palco do Cineteatro António Lamoso para celebrar 50 anos de carreira. Perante uma sala esgotada, recebeu uma prolongada ovação de pé
Luís Represas já se encontrava com a saúde fragilizada quando, no início de 2026, subiu ao palco do Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira. O público não conheceria então toda a dimensão da doença que enfrentava discretamente, mas recebeu-o como sempre: com carinho, emoção e uma prolongada ovação de pé.
O concerto, realizado a 10 de janeiro, terá sido um dos últimos da vida do cantor e compositor português. Serviu também para abrir a programação de 2026 daquele equipamento cultural e assinalar os seus 50 anos de carreira.
Numa sala esgotada, Luís Represas revisitou algumas das canções que marcaram várias gerações, recordando o percurso iniciado nos Trovante e continuado numa longa e reconhecida carreira a solo. A noite, inicialmente vivida como uma celebração da música e da vida, adquire agora o significado de uma despedida.
Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A notícia da sua morte provocou uma onda de consternação no meio artístico e entre o público que acompanhou a sua carreira durante cinco décadas.
Em Santa Maria da Feira, permanece a memória de um artista fisicamente debilitado, mas ainda profundamente entregue à música e ao público. Apesar das dificuldades que já enfrentava, Luís Represas não deixou de cantar, de recordar histórias e de partilhar as canções que fizeram parte da vida de milhares de portugueses.
No final do espetáculo, a plateia do Cineteatro António Lamoso levantou-se para o aplaudir. Uma ovação sentida, longa e emocionada, que acabaria por se transformar numa das últimas homenagens prestadas em vida ao músico.
Entre os presentes encontrava-se Amadeu Albergaria, que recordou o concerto e a ligação pessoal que mantinha com a música de Luís Represas.
“Partiu Luís Represas. A programação de 2026 do Cineteatro António Lamoso iniciou-se com um concerto em que comemorava os seus 50 anos de carreira. Foi aplaudido de pé, numa sala esgotada”, escreveu.
Amadeu Albergaria recordou também os momentos em que, durante o seu “exílio lisboeta”, ia ouvir o cantor num espaço que lhe era próximo.
“Às vezes, no meu exílio lisboeta, ia ouvi-lo cantar num espaço que era seu. Vemo-nos no 125 Azul, na certeza de que ‘Deus leva os que ama; só Deus tem os que mais ama’”, acrescentou.
As palavras evocam “125 Azul”, uma das canções mais conhecidas da carreira a solo de Luís Represas, transformando o título numa despedida íntima e simbólica.
Luís Represas iniciou o seu percurso musical ainda jovem e tornou-se conhecido como fundador e vocalista dos Trovante, uma das bandas mais marcantes da música portuguesa das décadas de 1970 e 1980.
Após o fim do grupo, prosseguiu uma carreira a solo de grande sucesso. Canções como “Feiticeira”, “Da Próxima Vez”, “Perdidamente” e “125 Azul” tornaram-se referências da música nacional e atravessaram diferentes gerações.
Em 2026, o cantor celebrava meio século de atividade artística com uma série de espetáculos dedicados às canções e às histórias do seu percurso. O concerto de Santa Maria da Feira integrou essa celebração e levou ao Cineteatro António Lamoso um público que esgotou por completo a sala.
Naquela noite de janeiro, o público feirense celebrou os 50 anos de carreira de Luís Represas. Seis meses depois, a mesma ovação permanece como uma despedida inesperada.
Santa Maria da Feira guardará, assim, a memória de uma das últimas atuações do músico: uma noite de casa cheia, de canções partilhadas e de um público inteiro de pé perante uma das vozes maiores da música portuguesa.
Até sempre, Luís Represas.