2026/10/02
Santa Maria da Feira Oliveira de Azeméis Espinho São João da Madeira
Movimento Cívico pela Linha do Vouga critica estudo que admite bitola ibérica ou BRT entre Oliveira de Azeméis e Espinho e defende a modernização da atual linha em bitola métrica.
A revelação, avançada pelo Região de Terras de Santa Maria, de que está em estudo uma solução BRT para o corredor da Linha do Vouga entre Oliveira de Azeméis e Espinho provocou a reação do Movimento Cívico pela Linha do Vouga. A estrutura manifesta “profunda indignação e preocupação” por o estudo estar a considerar a conversão para bitola ibérica ou um sistema de metrobus, deixando de fora a manutenção e modernização da atual bitola métrica.
Foi no 29 de setembro que o Região de Terras de Santa Maria revelou que uma solução BRT — Bus Rapid Transit, uma espécie de metro de superfície sobre pneus, entrou nas alternativas em estudo para o corredor da Linha do Vouga entre Oliveira de Azeméis e Espinho, com passagem por Santa Maria da Feira.
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A novidade tinha sido avançada por Nuno Sousa, presidente do Conselho de Administração da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), durante uma audição na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira.
“Há uma série de estudos que estão a ser feitos, seja para reativar a Linha do Vouga em bitola ibérica, seja um projeto de BRT que vai ligar Oliveira de Azeméis-Espinho, passando também aqui pela Feira”, afirmou Nuno Sousa na ocasião. O responsável ressalvou que os estudos continuam em curso e que “não existe ainda uma solução”.
A informação desencadeou agora uma tomada de posição do Movimento Cívico pela Linha do Vouga.
Em comunicado, o Movimento sustenta que a informação conhecida aponta para que estejam a ser avaliadas “exclusivamente duas alternativas”: a conversão da linha para bitola ibérica ou a implementação de um BRT.
Para o Movimento, está assim a ser deixada de fora aquela que considera ser a melhor solução: modernizar e eletrificar a Linha do Vouga mantendo a atual bitola métrica.
“O estudo ignora a melhor solução para forçar a escolha entre o ‘mau’ e o ‘pior’”, acusa a estrutura, considerando que poderá estar a ser criado um “falso dilema” entre duas soluções que rejeita.
Na interpretação do Movimento, a conversão para bitola ibérica obrigaria a intervenções profundas na infraestrutura e poderia enfrentar dificuldades devido ao traçado da linha e aos raios de curva existentes.
Quanto ao BRT, a posição é ainda mais crítica: a organização considera que essa opção significaria o desmantelamento da infraestrutura ferroviária para utilização do corredor por veículos rodoviários.
O Movimento aponta também uma alegada contradição entre as soluções que estão a ser estudadas e as obras que decorrem atualmente na Linha do Vouga.
A Infraestruturas de Portugal está a realizar trabalhos de renovação da via em bitola métrica, levando a organização a questionar a racionalidade de investir agora na infraestrutura atual e estudar, em paralelo, a sua futura conversão para outra bitola ou para um corredor BRT.
“Como é possível que, em paralelo, a Área Metropolitana do Porto possa estar a gastar recursos para estudar a destruição desse mesmo canal para mudar a bitola ou aí passar autocarros?”, questiona o Movimento.
Outro dos argumentos da estrutura está relacionado com a ligação à Linha do Norte.
Durante a intervenção revelada pelo Região, Nuno Sousa explicou que uma eventual solução BRT poderia transportar passageiros até Espinho, onde fariam ligação à Linha do Norte para seguir em direção ao Porto ou aceder posteriormente ao Metro.
O Movimento aproveita precisamente esse modelo para questionar um dos argumentos historicamente utilizados contra a manutenção da bitola métrica: a necessidade de transbordo em Espinho.
“Se o transbordo em Espinho afinal já serve para um autocarro sobre pneus, porque é que não serve para um comboio elétrico moderno, rápido, silencioso e de elevada capacidade sobre os carris em bitola métrica?”, questiona.
A organização contesta ainda a utilização da palavra “reativação” para descrever o futuro da Linha do Vouga.
O Movimento lembra que a ligação ferroviária entre Aveiro e Espinho continua ativa e com serviço de passageiros, considerando incorreto falar numa reativação de uma infraestrutura que permanece em funcionamento.
Na intervenção que esteve na origem da polémica, Nuno Sousa classificou o futuro do corredor como uma das questões estruturantes para a mobilidade do sul da Área Metropolitana do Porto.
“Se me perguntarem qual é o projeto mais importante e impactante no sul da Área Metropolitana é exatamente a ativação desta linha”, afirmou o presidente da TMP.
A forma de concretizar essa transformação permanece, contudo, por decidir. Segundo a informação revelada pelo Região, a bitola ibérica e o BRT estão em estudo, não havendo ainda uma solução escolhida, prazos de execução ou investimento anunciado.