2026/04/01
Investimento no novo Centro de Tecnologia de Vale de Cambra pode ultrapassar 7 milhões de euros, somando custo da obra e aquisição do imóvel.
O investimento da Câmara Municipal de Vale de Cambra no futuro Centro de Tecnologia, Inovação e Documentação Museológica poderá ultrapassar os 7 milhões de euros, somando o custo do projeto de execução ao valor já despendido na aquisição do imóvel.
O tema foi discutido em reunião do executivo municipal, onde foi aprovado, por maioria, o projeto de execução da nova infraestrutura, com um custo estimado de 4.987.599,25 euros, acrescido de IVA. A este valor juntam-se cerca de 2,3 milhões de euros já investidos pelo município na compra do edifício, elevando o investimento global para um montante superior a sete milhões de euros.
Durante a reunião, foram levantadas preocupações quanto à diferença entre o valor total do projeto e o financiamento previsto. Segundo foi referido, a candidatura apresentada no âmbito do programa Portugal 2030 cobre um montante inferior ao custo global, ficando uma parte significativa do investimento a cargo do município.
Esta diferença poderá obrigar a autarquia a reforçar o esforço financeiro, num contexto em que já assumiu um investimento considerável com a aquisição do imóvel.
Outro dos pontos que marcou o debate prende-se com as condições do negócio de aquisição do edifício. O imóvel foi comprado ao abrigo de um memorando de entendimento que prevê a criação de uma estrutura museológica no prazo de 12 anos.
Caso o projeto não seja concretizado dentro desse período, o edifício poderá reverter para a família vendedora, mediante a devolução do valor pago pela autarquia. Este cenário levanta dúvidas quanto à segurança do investimento, uma vez que os montantes entretanto aplicados em estudos, projetos ou obras poderão não ser recuperados.
A ausência de um plano de negócios detalhado foi também apontada como um fator de incerteza. O executivo esclareceu que esse estudo ainda não foi elaborado, justificando que o projeto se encontra numa fase inicial e que a sua definição dependerá de um maior grau de maturidade da intervenção.
Ainda assim, alguns vereadores consideram essencial avaliar antecipadamente a sustentabilidade financeira do equipamento, nomeadamente os custos de funcionamento e manutenção futuros.
Apesar das reservas, o executivo municipal defende o projeto como uma aposta estratégica na valorização da identidade industrial e cultural de Vale de Cambra, bem como um potencial motor de dinamização económica e turística.
A criação do centro tecnológico e museológico pretende reforçar a ligação do concelho à sua história industrial, ao mesmo tempo que aposta na inovação e na valorização do conhecimento.
O projeto acabou por ser aprovado por maioria, com abstenções de vereadores da oposição, que justificaram a sua posição com dúvidas quanto ao enquadramento financeiro e às condições jurídicas associadas ao investimento.
Com um investimento que poderá ultrapassar os sete milhões de euros, o Centro de Tecnologia, Inovação e Documentação Museológica assume-se como um dos projetos mais ambiciosos do município. No entanto, as dúvidas levantadas durante a reunião evidenciam os desafios financeiros e jurídicos que acompanham a iniciativa, deixando em aberto a discussão sobre o equilíbrio entre ambição estratégica e sustentabilidade do investimento público.