2026/06/24
Obra de modernização da Linha do Norte entre Espinho e Válega representa um investimento de 76 milhões de euros e deverá decorrer durante três anos.
A modernização da Linha do Norte entre Espinho e Válega, no concelho de Ovar, já arrancou com a consignação da empreitada pela Infraestruturas de Portugal. A intervenção representa um investimento de 76 milhões de euros e abrange cerca de 19 quilómetros de uma das infraestruturas ferroviárias mais importantes do país.
A obra deverá decorrer ao longo dos próximos três anos e integra um plano mais vasto de requalificação da principal ligação ferroviária nacional, com impacto direto na mobilidade de passageiros, na circulação de mercadorias e na segurança ao longo deste corredor.
A intervenção será executada por um consórcio constituído pelas empresas Somafel – Engenharia e Obras Ferroviárias, Construções Gabriel Couto e Teixeira Duarte. Em causa está a renovação de um troço estratégico da Linha do Norte, entre Espinho e Válega, numa zona de forte utilização ferroviária e com relevância regional e nacional.
Entre os trabalhos previstos estão a renovação de equipamentos em fim de vida, a substituição integral da catenária, a remodelação das estações de Esmoriz e Ovar, a construção de novos cais para passageiros e a eliminação de várias passagens de nível rodoviárias e pedonais.
A eliminação de passagens de nível é um dos pontos centrais da empreitada, tendo em conta os riscos associados a estes atravessamentos e a necessidade de reforçar a segurança ferroviária entre Espinho e Ovar.
A modernização prevê ainda a criação de vias de resguardo com pelo menos 750 metros de extensão, permitindo acomodar comboios de mercadorias enquanto circulam serviços de passageiros. Esta solução deverá aumentar a flexibilidade operacional da linha e melhorar a capacidade de resposta da infraestrutura.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, a intervenção deverá contribuir para um aumento significativo da procura ferroviária. A estimativa aponta para uma subida dos atuais 5,8 milhões de passageiros por ano para cerca de 8,4 milhões, o que corresponde a um crescimento aproximado de 45%.
Na cerimónia de consignação, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, classificou a obra como “absolutamente essencial”, sublinhando que a futura Linha de Alta Velocidade entre Porto e Lisboa não retira importância à modernização da atual Linha do Norte.
O governante defendeu que a entrada em funcionamento da alta velocidade deverá libertar capacidade na linha convencional, criando melhores condições para o transporte de mercadorias e para a eficiência da rede ferroviária nacional.
O presidente da Câmara Municipal de Espinho, Jorge Ratola, destacou a importância dos investimentos previstos para a região e aproveitou o momento para apelar a uma maior agilidade nos processos administrativos e burocráticos que condicionam a concretização de projetos estruturantes.
A empreitada entre Espinho e Válega surge, assim, como uma das intervenções ferroviárias mais relevantes em curso na região de Aveiro, preparando a Linha do Norte para responder às exigências de mobilidade das próximas décadas, tanto ao nível do transporte de passageiros como da circulação de mercadorias.