2026/10/01
BE quer saber as causas do incêndio, quantas automotoras estão operacionais, qual o seu estado de manutenção e quando chegará novo material à Linha do Vouga.
O incêndio que deflagrou numa automotora da Linha do Vouga, em São Paio de Oleiros, levou o Bloco de Esquerda a questionar o Governo sobre as causas da ocorrência, o estado de manutenção das composições e a ausência de uma data para a chegada de novo material circulante.
Na passada segunda-feira, 28 de setembro, ao final da tarde, um incêndio deflagrou numa automotora do Vouguinha, junto a São Paio de Oleiros, no concelho de Santa Maria da Feira. Três dias depois, o caso chegou à esfera política: o Bloco de Esquerda anunciou que vai pedir explicações ao Governo sobre o incidente e sobre as condições em que continua a funcionar a Linha do Vouga.
De acordo com a informação tornada pública, o incêndio terá tido origem numa avaria no sistema de exaustão da automotora. Os passageiros foram obrigados a abandonar a composição e acabaram por prosseguir viagem de autocarro até aos respetivos destinos.
O fogo foi apagado por trabalhadores da CP e pelos Bombeiros Voluntários de Espinho. Uma passageira, de 37 anos, foi transportada, por precaução, para o Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira.
Na sequência da ocorrência, o Bloco de Esquerda decidiu dirigir um conjunto de perguntas ao Governo, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação.
O partido quer saber se as causas do incêndio já foram oficialmente apuradas e se a ocorrência foi comunicada ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
Mas as perguntas do BE vão além do episódio ocorrido em São Paio de Oleiros.
O partido quer também saber quantas automotoras se encontram atualmente operacionais na Linha do Vouga e qual o respetivo estado de manutenção, colocando novamente sob escrutínio o material circulante utilizado nesta ligação ferroviária.
Outra das questões colocadas ao Governo prende-se diretamente com a renovação da frota.
O Bloco pergunta para quando está prevista a aquisição de novo material circulante para a Linha do Vouga, numa altura em que continua sem ser conhecida uma data para a substituição das atuais automotoras.
Segundo o partido, a CP tem associado o adiamento dessa decisão à falta de definição em torno da futura eletrificação da linha, prevista no Programa Nacional de Investimentos 2030.
O incêndio surge num contexto marcado por sucessivas perturbações no serviço.
Segundo dados citados pelo Bloco de Esquerda, a CP suprimiu 97 comboios na Linha do Vouga em apenas dois meses deste ano.
Entre as causas apontadas encontram-se avarias do material circulante, falta de revisores, falta de equipamentos PDA e até roubo de gasóleo.
O Movimento Cívico pela Linha do Vouga tem também vindo a alertar para a frequência das avarias e para a degradação das condições de exploração desta ligação ferroviária.
O Bloco de Esquerda quer ainda saber que medidas estão previstas para reforçar o número de revisores, maquinistas e trabalhadores de manutenção afetos à Linha do Vouga.
O partido questiona ainda se o Governo está disponível para avançar com um plano de investimento para a modernização da linha, com prazos e verbas definidos.
A Linha do Vouga liga Espinho a Aveiro e atravessa os concelhos de Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda, servindo diariamente trabalhadores e estudantes de uma das zonas mais densamente povoadas e industrializadas do país.