2026/04/18
Novo sítio arqueológico em Madaíl, no concelho de Oliveira de Azeméis, revela segredos da ocupação romana.
O que começou como uma simples limpeza de terreno para reflorestação em 2017, tornou-se num dos achados arqueológicos mais relevantes das últimas décadas em Oliveira de Azeméis. O sítio da Fonte do Soldado, em Madaíl, está agora oficialmente em vias de classificação nacional, abrindo portas a uma nova compreensão sobre o passado do concelho.
O Diário da República já oficializou a abertura do procedimento de classificação deste povoado proto-histórico e romano. A decisão do instituto Património Cultural reconhece o valor excecional deste local, situado na União de Freguesias de Oliveira de Azeméis, Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madaíl, mais especificamente nas proximidades do lugar de Vilarinho.
Ao contrário de outros achados isolados, a Fonte do Soldado revelou uma densidade de materiais que entusiasma os especialistas. Durante as prospeções realizadas pela equipa de arqueologia municipal, foram encontrados fragmentos de cerâmica comum, mas também exemplares de Terra Sigillata — uma espécie de cerâmica de luxo da época romana, famosa pela sua cor avermelhada e brilho.
Além da loiça, a presença de tegulae (telhas planas) e imbrices (canudos) prova que ali existiram estruturas edificadas com técnicas romanas entre os séculos I e IV d.C.
A grande curiosidade dos arqueólogos reside na natureza deste povoado. Situado numa zona de meia encosta, e não no topo de um monte como o Castro de Ul, a Fonte do Soldado poderá ter sido uma "villa" (exploração agrícola de um proprietário abastado) ou um ponto de apoio logístico e comercial.
Esta teoria ganha força pela sua localização estratégica: o sítio encontra-se próximo de antigas vias que ligavam importantes centros romanos na região, servindo possivelmente de ponto de paragem entre o litoral e o interior.
Com a classificação agora em curso, foi estabelecida uma Zona Especial de Proteção. Qualquer intervenção num raio de 50 metros em redor do sítio fica dependente de pareceres rigorosos. O objetivo é evitar que o uso de maquinaria pesada ou novas plantações florestais possam destruir o que ainda resta sob a terra.
Esta classificação não será apenas um ato administrativo; é a confirmação de que Oliveira de Azeméis foi, há quase dois mil anos, um centro dinâmico de passagem e fixação de populações no Império Romano.