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Região de Terras de Santa Maria

2026/11/02

ECCO encerra fábrica de São João de Ver e deixa 632 trabalhadores sem emprego

Santa Maria da Feira

A fábrica da ECCO, em São João de Ver, prepara-se para encerrar após 42 anos de atividade. A decisão da multinacional dinamarquesa afeta 632 trabalhadores.

ECCO anuncia encerramento definitivo da fábrica de São João de Ver. Produção está suspensa e 632 trabalhadores serão afetados.

Multinacional dinamarquesa anunciou o encerramento definitivo da unidade industrial fundada em 1984. Produção já está suspensa e sindicato admite que o esvaziamento da fábrica fique concluído no primeiro trimestre de 2027.

A multinacional dinamarquesa ECCO anunciou esta segunda-feira, 2 de novembro, o encerramento total e definitivo da fábrica de São João de Ver, no concelho de Santa Maria da Feira, uma decisão que afeta 632 trabalhadores e coloca um ponto final em mais de quatro décadas de presença industrial da empresa na região.

A decisão foi comunicada durante a manhã aos funcionários da unidade, que já encontraram a produção suspensa. O encerramento será progressivo, com a secção de amostras a manter-se em funcionamento durante mais duas semanas.

A presidente do Sindicato Nacional do Calçado, Malas e Afins, Fernanda Moreira, admite que o processo de esvaziamento integral das instalações possa prolongar-se até ao primeiro trimestre de 2027. Alguns trabalhadores deverão permanecer ao serviço para assegurar os procedimentos necessários ao encerramento.

Os restantes funcionários serão dispensados da atividade, mas continuarão a receber os salários até à conclusão dos procedimentos formais necessários ao acesso ao subsídio de desemprego.

Indemnizações de um salário por cada ano de serviço

De acordo com a dirigente sindical, os trabalhadores terão direito a uma indemnização correspondente a um salário por cada ano de antiguidade, um valor superior ao mínimo legal aplicável, segundo o sindicato.

A administração da ECCO confirmou, em comunicado, que garantirá o pagamento das compensações e o cumprimento de todas as obrigações laborais, estando igualmente a avaliar medidas adicionais de apoio à procura de novas oportunidades de emprego.

O diretor-geral da ECCO Portugal, Gustavo Kremer, reconheceu o impacto da decisão nos trabalhadores, nas famílias e na comunidade.

"Este é um dia muito triste para todos nós, e também para mim", afirmou, sublinhando que o encerramento não resulta do desempenho dos funcionários nem da qualidade do trabalho desenvolvido na fábrica portuguesa.

A empresa justifica a decisão com uma reorganização global da estrutura produtiva, destinada a adaptar a capacidade industrial às necessidades atuais e futuras do negócio.

O plano inclui igualmente o encerramento de uma unidade no Vietname e a eventual redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do grupo, incluindo na Dinamarca.

Fundada em 1984, a fábrica de São João de Ver foi a primeira unidade industrial da ECCO fora da Dinamarca e chegou a ser uma das maiores empregadoras do setor do calçado em Portugal.

A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira já foi informada da decisão. A multinacional manifestou disponibilidade para colaborar com a autarquia e outras entidades no apoio aos trabalhadores afetados.

Para já, não foi anunciada uma data oficial para a conclusão do encerramento nem divulgado o destino da produção que até agora estava instalada em São João de Ver.

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