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Região de Terras de Santa Maria

2026/04/01

Contrato cultural de € 62 mil levanta dúvidas sobre destino das verbas em Santa Maria da Feira

Santa Maria da Feira

Contrato cultural de 62 mil euros aprovado pela Câmara de Santa Maria da Feira levanta questões sobre transparência e aplicação dos fundos públicos.

A adjudicação de um contrato de prestação de serviços culturais no valor de 62 mil euros (+ IVA) pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira está a suscitar dúvidas quanto à aplicação concreta das verbas, após pedidos de esclarecimento levantados em reunião do executivo.

Em causa está um contrato, com duração de 18 meses, destinado à conceção e criação artística no âmbito de iniciativas educativas e culturais, aprovado através de consulta prévia. De acordo com os esclarecimentos prestados pelo executivo em reunião de câmara, o serviço abrange projetos em contexto escolar, ações culturais em espaços municipais e atividades ligadas à dinamização cultural do concelho.

A questão ganhou relevo durante a análise de ordens de pagamento, momento em que os vereadores da oposição no município feirense solicitaram mais informações sobre a natureza dos serviços contratados e a sua concretização no terreno. Embora a autarquia tenha garantido que o contrato responde a necessidades reais da programação cultural, não foi apresentada uma discriminação detalhada dos projetos abrangidos nem da forma como o montante será distribuído.

A ausência de detalhe específico levanta interrogações sobre a transparência na utilização dos recursos públicos, sobretudo num contrato com caráter abrangente e transversal a várias iniciativas. Para alguns membros do executivo, a falta de identificação clara dos projetos dificulta a avaliação do impacto direto do investimento.

Por outro lado, o município defende que este tipo de contratação permite assegurar flexibilidade na execução de atividades culturais e educativas, muitas das quais exigem competências técnicas especializadas e capacidade de resposta rápida. Neste contexto, o contrato é apresentado como um instrumento operacional para viabilizar projetos que, de outra forma, poderiam ficar comprometidos por limitações internas.

O tema insere-se num debate mais amplo sobre o recurso a serviços externos na administração local e o equilíbrio entre eficiência, necessidade técnica e transparência. A discussão deverá prosseguir, com a possibilidade de serem solicitados novos esclarecimentos sobre a execução do contrato e os resultados das iniciativas abrangidas.

Num momento em que a exigência de rigor na gestão de dinheiros públicos é cada vez maior, o caso evidencia a importância do escrutínio político e da disponibilização de informação clara aos cidadãos sobre a aplicação dos recursos municipais.

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