2026/06/16
Notícia do Região de Terras de Santa Maria discutida na Assembleia Municipal de Vale de Cambra. Deputado municipal do CDS-PP, José Soares, defendeu que resultados negativos não significam má gestão.
O deputado municipal José Soares, líder da bancada do CDS-PP, aproveitou a última sessão da Assembleia Municipal de Vale de Cambra para responder à notícia avançada pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA que tornou pública as contas da autarquia valecambrense: o executivo municipal apresentou um resultado negativo de mais de 4,5 milhões de euros em 2025, gerando um debate público entre os valecambrense, nomeadamente nas redes sociais.
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Na intervenção, o eleito do CDS afirmou que a notícia criou “alguma efervescência” no concelho, sobretudo pela forma como foi interpretada a existência de resultados negativos nas contas municipais. José Soares procurou, por isso, deixar uma “palavra de tranquilidade” aos valecambrenses que acompanhavam os trabalhos da Assembleia.
José Soares começou por explicar que a contabilidade traduz a atividade municipal, mas nem sempre permite uma leitura direta da realidade financeira e política de uma autarquia. Segundo o deputado, o atual sistema de normalização contabilística afasta-se dos modelos de gestão orçamental a que os cidadãos estavam habituados, o que pode gerar interpretações erradas.
“Um resultado negativo não é um sinal de uma gestão leviana”, defendeu o deputado, acrescentando que pode também ser consequência de uma determinada estratégia política e financeira. No caso de Vale de Cambra, sustentou José Soares, essa estratégia passou por orientar a gestão municipal “para as pessoas”.
Na explicação apresentada à Assembleia Municipal, José Soares associou os resultados negativos a duas opções políticas principais: por um lado, a manutenção de impostos, taxas e tarifas em valores baixos; por outro, o reforço dos apoios municipais em áreas como cultura, desporto, famílias e crianças.
O deputado afirmou que Vale de Cambra tem impostos locais mais baixos, bem como preços de água, saneamento e resíduos sólidos mais reduzidos, o que naturalmente diminui os rendimentos contabilísticos do Município. Ao mesmo tempo, disse, o aumento do apoio à cultura, ao desporto, às famílias e às crianças fez crescer os custos.
É dessa diferença entre rendimentos e custos, explicou, que resultam os resultados negativos apontados na publicação jornalística.
Apesar da leitura negativa que possa ser feita das contas, José Soares defendeu que o município de Vale de Cambra continua numa posição favorável. O deputado afirmou que, entre os 17 concelhos da Área Metropolitana do Porto, Vale de Cambra é aquele que apresenta as taxas de impostos locais mais baixas e também os preços mais baixos de água, saneamento e resíduos sólidos.
Na sua perspetiva, se houvesse necessidade de equilibrar os resultados contabilísticos, a Câmara poderia fazê-lo sem ultrapassar os valores praticados por concelhos vizinhos.
Para reforçar a sua argumentação, José Soares lembrou que há vários municípios portugueses que também apresentaram resultados negativos sem que isso signifique uma situação financeira dramática, citando exemplos como Braga, Évora, Funchal, Lisboa e Pombal.
O deputado referiu ainda que Lisboa apresentou resultados negativos em 2023 e 2024, sem que isso signifique, no seu entender, que o presidente da Câmara, Carlos Moedas, esteja a pôr em causa a sustentabilidade financeira do município. Também mencionou Pombal, dizendo que o município apresentou resultados negativos e que, ainda assim, o seu presidente foi eleito por consenso para liderar a Associação Nacional de Municípios Portugueses.
A intervenção de José Soares surgiu, assim, como uma resposta política à forma como a notícia torda pública pelo REGIÃO DE TERRAS DE SANTA MARIA interpretada localmente. O deputado procurou contrariar uma leitura alarmista dos resultados negativos e enquadrá-los como consequência de opções de gestão.
Para o eleito do CDS, a redução de rendimentos resulta de uma política fiscal e tarifária mais favorável aos munícipes, enquanto o aumento dos custos decorre de maior investimento em apoios sociais, culturais, desportivos e familiares. “Era só para deixar esta palavra de tranquilidade a todos os valecambrenses”, concluiu.