2026/10/09
Município admite que não dispõe atualmente de qualquer fiscal municipal e quer criar dois lugares para reforçar a fiscalização, numa altura em que chegam à Câmara denúncias sobre alegadas irregularidades urbanísticas.
São João da Madeira não tem atualmente qualquer fiscal municipal. A revelação foi feita pelo próprio presidente da Câmara, numa reunião em que também foram discutidas denúncias sobre alegadas irregularidades urbanísticas. Executivo quer criar dois lugares, mas a reorganização dos serviços onde estavam previstos acabou por ser adiada.
A Câmara Municipal de São João da Madeira não tem atualmente qualquer fiscal municipal. A situação foi assumida pelo próprio presidente da autarquia, João Oliveira, durante a apresentação da proposta de reorganização dos serviços municipais, na reunião do executivo de 6 de outubro.
O dado não passou despercebido num município onde a fiscalização de obras particulares, ocupação do espaço público e cumprimento dos regulamentos municipais faz parte das responsabilidades da autarquia.
Ao apresentar as alterações ao mapa de pessoal, o presidente anunciou a intenção de criar dois lugares de fiscal municipal, justificando a medida com a necessidade de reforçar uma área que, neste momento, não tem profissionais com essa categoria.
"Neste momento a Câmara Municipal não tem qualquer fiscal", afirmou, acrescentando que o objetivo é "dar força a essa área, seja na vertente das obras particulares, seja no seu geral".
A admissão ganha particular relevância porque, na mesma reunião, o urbanismo e a fiscalização estiveram em discussão. Os vereadores do Partido Socialista questionaram o Executivo sobre uma denúncia relacionada com a Travessa da Rua Mineiros de Poiares, onde terão sido levantadas dúvidas sobre construções eventualmente executadas fora das regras.
O presidente confirmou que o proprietário foi notificado pelos serviços municipais e que está em curso uma averiguação. Segundo explicou, aquilo que vier a ser considerado ilegal terá de ser corrigido e poderá mesmo levar à demolição de construções que não estejam em conformidade.
A coincidência entre os dois temas levanta uma questão inevitável: como tem sido assegurada a fiscalização municipal numa Câmara que admite não dispor atualmente de fiscais municipais? A reunião não esclareceu em detalhe que serviços ou técnicos têm assegurado essas funções na ausência de profissionais com a categoria de fiscal municipal.
Os dois lugares fazem parte de um pacote de seis novas posições previsto na reorganização dos serviços. Além dos fiscais municipais, a câmara propôs criar um lugar de assistente técnico para a área financeira e contratação pública, um técnico superior licenciado em Economia para a nova Unidade de Inovação, Qualidade e Auditoria, um arquiteto e um técnico superior de Geografia para a área do desenvolvimento territorial, qualidade urbana e habitação.
A proposta surge num plano muito mais amplo de alteração da estrutura interna da Câmara. O executivo quer passar para uma organização com três departamentos, 12 divisões e cinco unidades, criando um nível intermédio de direção entre os vereadores e as diferentes divisões municipais.
A proposta não avançou nesta reunião. O Partido Socialista levantou dúvidas sobre a dimensão da reorganização, questionando o Executivo sobre os custos das novas chefias, o impacto futuro na massa salarial e os ganhos concretos de eficiência.
Os socialistas defenderam que uma alteração desta dimensão deveria ser acompanhada por um diagnóstico mais detalhado sobre os problemas existentes na estrutura atual e por uma projeção do impacto financeiro.
Perante as questões colocadas, o presidente aceitou adiar o ponto e fornecer informação adicional antes de a proposta voltar a votação.