2026/05/17
Câmara Municipal de Arouca aprovou as contas de 2025 com saldo final superior a 12,3 milhões de euros. PSD critica execução orçamental e falta de visão estratégica.
A Câmara Municipal de Arouca aprovou os documentos de prestação de contas referentes ao exercício de 2025, numa reunião marcada pelo confronto político entre a maioria socialista e os vereadores do PSD. As contas foram aprovadas por maioria, com a abstenção da oposição.
Os documentos financeiros revelam que o município terminou o ano com um saldo final de 12.387.736,90 euros e um resultado líquido positivo de 1.831.939,38 euros.
Segundo os dados apresentados pelo executivo liderado por Margarida Belém, a autarquia arrecadou 31,67 milhões de euros de receita e realizou 30,19 milhões de euros de despesa durante o ano de 2025.
O balanço municipal apresenta ainda um ativo superior a 106 milhões de euros, um património líquido próximo dos 100 milhões e um passivo de cerca de 6,4 milhões de euros.
Apesar dos números positivos apresentados pelo executivo, os vereadores do PSD justificaram a abstenção com duras críticas à gestão municipal. Na declaração de voto, Vítor Carvalho, Célia Alves e Paulo Santos afirmam que os documentos revelam “falta de rigor no planeamento, insuficiente capacidade de execução e ausência de uma visão transformadora e ambiciosa para o futuro do concelho”.
A oposição destaca que, face às dotações corrigidas, a execução da despesa municipal ficou “apenas em cerca de 62%”, considerando existir um desfasamento significativo entre o que foi previsto e o que foi efetivamente concretizado.
Os vereadores do PSD criticam ainda o peso das despesas correntes, defendendo que a câmara continua excessivamente centrada no funcionamento diário em detrimento de investimentos estruturantes para o concelho.
Na mesma declaração, a oposição aponta fraca execução em áreas como indústria, energia, agricultura, silvicultura, habitação e serviços coletivos, considerando que falta ambição em setores fundamentais para o desenvolvimento económico e territorial de Arouca.
Em resposta, a presidente da câmara e os vereadores da maioria defenderam que as contas demonstram uma gestão “planeada e orientada para resultados”.
O executivo socialista sublinha que o município recebeu “93% do que planeou”, gastou menos do que recebeu e conseguiu poupar “4,4 milhões de euros das receitas do dia-a-dia” para investir em obras.
A maioria afirma ainda que o município “executou 146% das obras que tinha planeado”, graças à capacidade de captação de fundos europeus, destacando investimentos em áreas como estradas, escolas, saúde, ambiente, turismo, ação social, cultura, juventude, comércio, agricultura e indústria.
Na declaração final, o executivo considera que as contas de 2025 refletem “uma gestão rigorosa, um forte investimento no território e um claro compromisso com o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos arouquenses”.