2026/07/09
BE quer debate na Assembleia Municipal sobre a gestão da água em Santa Maria da Feira e exige remunicipalização do serviço.
O Bloco de Esquerda de Santa Maria da Feira entregou, na última sessão da Assembleia Municipal, a petição “Indaqua Fora de Santa Maria da Feira”, subscrita por 1834 cidadãos. O documento contesta a gestão privada da água no concelho e defende a remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento.
Segundo a Comissão Coordenadora Concelhia do BE, a petição reúne assinaturas de cidadãos “profundamente descontentes” com o atual modelo de gestão da água, que o partido considera responsável por tarifas elevadas no concelho. O Bloco afirma que Santa Maria da Feira paga “uma das águas mais caras do país” e “a mais cara de todo o distrito de Aveiro”.
Entre as reivindicações apresentadas estão a remunicipalização do serviço de abastecimento de água e saneamento ainda durante o atual mandato autárquico, a criação de um tarifário específico para famílias numerosas, com quatro ou mais elementos, o fim das taxas de ligação e da taxa de disponibilidade, a remunicipalização da recolha de resíduos e a cobertura total da rede de abastecimento e saneamento no prazo máximo de dois anos.
O partido critica ainda a resposta dada pelo presidente da Câmara Municipal, Amadeu Albergaria, considerando que o autarca se escudou no resultado eleitoral para justificar a manutenção da política seguida em relação à Indaqua. Para o Bloco, “ganhar eleições não dá direito a ignorar o descontentamento de milhares de pessoas”, nem significa que todos os eleitores da maioria concordem com a gestão da água no concelho.
“O Bloco de Esquerda, apesar de não ter representação neste órgão, mantém-se disponível para colaborar com qualquer deputado municipal que queira assegurar que este ponto é de facto levado a debate”, refere a estrutura concelhia, que desafia a presidente da Assembleia Municipal e todos os partidos com assento no órgão a criarem, já na próxima reunião, um ponto próprio para discutir a petição.
O BE defende que o documento não deve ser apenas recebido formalmente, mas debatido “a sério, em sede própria”, por considerar que os 1834 subscritores merecem uma resposta política sobre uma matéria que classifica como um dos principais problemas da gestão autárquica em Santa Maria da Feira.