2026/06/18
Procedimento de transportes ocasionais, avaliado entre 70 e 80 mil euros, esgotou-se em poucos meses e levou o PSD a pedir reforço e revisão do regulamento municipal.
A verba para transportes ocasionais destinados a associações, IPSS, instituições de ensino e outras entidades sem fins lucrativos de Vale de Cambra, estimada pelo presidente da Câmara entre 70 mil e 80 mil euros, esgotou-se em poucos meses, levando o PSD a questionar o Executivo sobre o reforço da rubrica e a eventual revisão do regulamento municipal.
O tema foi levantado na Assembleia Municipal por Vítor Pinho, do PSD, que alertou para a importância deste apoio para o movimento associativo local. O deputado municipal recordou que o Regulamento dos Transportes Municipais prevê a possibilidade de estas entidades beneficiarem de uma utilização anual de transporte ocasional e, eventualmente, de uma segunda, caso o limite legal do município ainda não tenha sido atingido.
Na intervenção, Vítor Pinho sublinhou que este apoio “não é um mero capricho”, mas uma resposta concreta a instituições que, pela sua dimensão, não têm capacidade financeira nem volume de saídas que justifiquem a compra e manutenção de viaturas próprias.
Sem este apoio da Câmara, defendeu o deputado, muitas entidades são obrigadas a contratar transportes privados a custos elevados ou a depender da disponibilidade dos dirigentes, que acabam por transportar jovens em viaturas particulares, assumindo riscos pessoais.
Para o eleito social-democrata, o transporte ocasional gratuito representa uma ajuda significativa para os orçamentos das associações e permite manter atividades que, de outra forma, poderiam ficar comprometidas.
Vítor Pinho afirmou que, este ano, a verba disponível para esta rubrica foi executada nos primeiros “quatro ou cinco meses”. Para o deputado, esta situação demonstra, por um lado, a vitalidade do movimento associativo de Vale de Cambra, mas, por outro, evidencia a insuficiência da dotação prevista face à procura existente.
O deputado disse ainda ter conhecimento da intenção da Câmara Municipal de avançar com o reforço da verba, classificando essa decisão como “correta, justa e que se impunha”. No entanto, pediu ao presidente da Câmara que confirmasse formalmente se esse reforço iria mesmo acontecer e qual o montante em causa.
Uma das principais preocupações colocadas pelo PSD prende-se com as associações que viram pedidos recusados pelo facto de o procedimento, nomeadamente o lote 2, estar esgotado.
Vítor Pinho questionou se esses pedidos serão automaticamente reavaliados e aprovados com uma nova verba ou se as associações que já não precisem de transporte até ao final do ano ficarão prejudicadas por terem apresentado o pedido num período em que a dotação estava temporariamente esgotada.
O deputado enquadrou ainda a questão dos transportes ocasionais num debate mais amplo sobre a mobilidade em Vale de Cambra. Lembrou que o concelho tem uma forte componente serrana, com desafios complexos de deslocação, sobretudo nas zonas mais afastadas.
Segundo Vítor Pinho, os horários de transporte público para a parte alta do concelho são reduzidos e, ao fim de semana, praticamente inexistentes. O deputado deu como exemplo a dificuldade de uma associação levar jovens ao Centro Interpretativo da Serra da Freita ou à Festa da Verona, em Paraduça, utilizando apenas transportes públicos.
Também apontou limitações na conectividade externa, nomeadamente nas ligações a Oliveira de Azeméis e Aveiro, defendendo que a contratação de transportes ocasionais acaba por ser, muitas vezes, a única solução viável para deslocar grupos.
Na resposta, o presidente da câmara, André Martins começou por corrigir a ideia de que o concurso fosse anual. Segundo o autarca, trata-se de um procedimento aberto em junho e julho do ano passado, que terminou há três ou quatro meses, e não de uma dotação organizada entre 1 de janeiro e 31 de dezembro.
O presidente explicou que a câmara se prepara agora para abrir um novo procedimento, novamente em junho e julho, reforçando que o modelo é procedimental e não anual.
Na mesma resposta, o presidente da Câmara enquadrou os transportes ocasionais no apoio mais vasto dado pelo município ao movimento associativo. Segundo o autarca, quando se somam cedências de espaços, pavilhões, campos, funcionários e outros apoios necessários ao funcionamento das instalações, o apoio global às associações ronda os 650 mil a 700 mil euros por ano.
O presidente acrescentou ainda que o apoio financeiro direto às associações aumentou nos últimos anos, passando de cerca de 100 mil euros em 2021 para aproximadamente 270 mil euros em 2025.
Na resposta, o autarca explicou que o custo das viagens aumentou consideravelmente desde o ano passado. Segundo exemplificou, uma deslocação que antes poderia corresponder a uma viagem dentro do procedimento pode agora consumir o equivalente a duas, devido à inflação e ao aumento do preço dos transportes.
Foi essa evolução de custos que, segundo o presidente da Câmara, contribuiu para que o procedimento se esgotasse mais rapidamente. O autarca afirmou que o município está a reavaliar o modelo procedimental, de forma a tentar ser “o mais justo possível”.
Apesar de reconhecer a importância do apoio, o presidente da Câmara avisou que o município não consegue disponibilizar autocarros para todas as associações, “a toda a hora”. Ainda assim, garantiu que o executivo está a analisar o modelo para tentar encontrar uma solução mais equilibrada.
O debate deixou em aberto a necessidade de rever não só o procedimento de contratação dos transportes ocasionais, mas também o próprio regulamento municipal, de modo a responder melhor à realidade associativa e territorial de Vale de Cambra.
Para o PSD, o esgotamento precoce da verba mostra que o apoio é necessário e muito procurado. Para a câmara, o desafio passa agora por compatibilizar essa procura com o aumento dos custos e com os limites financeiros e operacionais do município.