2026/08/20
Projeto-piloto da Bolt terminou, novo procedimento concursal não teve interessados e Município recusou as condições apresentadas pelos operadores para manter o serviço.
Santa Maria da Feira deixa, para já, de contar com o serviço de trotinetes e bicicletas elétricas partilhadas, depois de ter terminado o projeto-piloto e de o novo procedimento concursal lançado pelo Município para assegurar a continuidade da operação ter ficado deserto.
A confirmação foi dada pelo presidente da Câmara Municipal, Amadeu Albergaria, durante a reunião ordinária do Executivo de 10 de agosto, depois de o vereador Luís André Santos, do Chega, ter questionado o ponto de situação do projeto. O eleito referiu, durante a intervenção, que outros municípios tinham já cancelado este tipo de solução de mobilidade.
Em resposta, o presidente da câmara explicou que o projeto-piloto terminou e que o novo concurso não recebeu propostas. Acrescentou ainda que os operadores apresentaram um conjunto de condições e contrapartidas para permanecerem na cidade, mas que estas não foram aceites pelo Município.
O desfecho representa uma mudança relativamente ao cenário divulgado no final de julho. Nessa altura, Santa Maria da Feira distinguia-se de Espinho e Oliveira de Azeméis por ainda procurar assegurar a continuidade da micromobilidade partilhada através de uma nova concessão.
O procedimento tinha sido lançado no final de novembro de 2025 para concessionar a utilização privativa do domínio público municipal destinada à instalação e operação de serviços de partilha de modos suaves de transporte.
O contrato estava previsto para uma duração de três anos, devendo iniciar-se no começo de 2026. A empresa vencedora teria exclusividade na exploração do serviço até 2029.
O concurso estabelecia uma contrapartida mínima de 1.500 euros, acrescida de IVA, o que representava pelo menos 1.845 euros ao longo dos três anos do contrato. O valor deveria ainda ser atualizado anualmente de acordo com a variação média do Índice de Preços no Consumidor, excluindo a habitação.
O modelo desenhado pela autarquia previa uma expansão significativa dos locais onde os veículos poderiam ser estacionados ou partilhados. O procedimento identificava 15 espaços adjacentes a ciclovias, 164 localizações em passeios, 17 lugares de estacionamento automóvel e 16 espaços sobrantes junto a zonas de estacionamento.
Nos anos anteriores, o serviço tinha contado com 39 locais de recolha e partilha no concelho.
Apesar das condições previstas para a nova concessão e da intenção de manter o serviço durante mais três anos, o procedimento acabou por ficar deserto, impedindo a escolha de um novo operador.
Luís André Santos voltou posteriormente ao assunto nas redes sociais, onde afirmou ter questionado o Executivo sobre o projeto de utilização das trotinetes e bicicletas elétricas da Bolt em Santa Maria da Feira.
O vereador do CHEGA criticou a forma como a iniciativa terminou, afirmando que o projeto “começou com grande pompa” mas desapareceu rapidamente, e acusou o Executivo PSD de falta de visão estratégica.
A crítica política surge depois de o presidente da Câmara ter explicado, em reunião, que a continuidade do serviço ficou comprometida não apenas pelo concurso ter ficado deserto, mas também porque as condições e contrapartidas apresentadas pelos operadores não foram aceites pela autarquia.
Com a interrupção agora confirmada em Santa Maria da Feira, passam a ser três os municípios da região das Terras de Santa Maria sem serviço de trotinetes e bicicletas elétricas partilhadas: Santa Maria da Feira, Espinho e Oliveira de Azeméis.
Os motivos, contudo, são distintos.
Em Oliveira de Azeméis, a atividade, que tinha começado em dezembro de 2024 como projeto-piloto privado e sem custos para a Câmara, terminou depois de a própria operadora concluir que o serviço não era rentável.
Em Espinho, o protocolo municipal com a empresa responsável pelo serviço terminou a 26 de março de 2026. Como os veículos permaneceram posteriormente no espaço público, o Município notificou a operadora para os retirar até 31 de julho. A Câmara justificou a decisão, entre outros fatores, com problemas relacionados com a ocupação desordenada de passeios e outros espaços públicos.
Santa Maria da Feira constituía, até agora, a exceção entre os três concelhos. Enquanto Espinho e Oliveira de Azeméis avançavam para o fim das respetivas operações, a autarquia feirense tinha optado por lançar uma nova concessão com duração de três anos.
O concurso deserto altera esse cenário e deixa também Santa Maria da Feira sem este serviço de micromobilidade.